quarta-feira , 26 abril 2017

Maria Farinha busca inspiração nas tradições do vale do Paraíba e serve comida caseira

Uma porta de garagem separa a Maria Farinha Cozinha da rua, nas proximidades do largo da Batata. Algumas mesas dispostas em espaço simples e informal são adornadas por delicados vasos de flores frescas. Um móvel robusto de madeira acolhe livros essenciais da cozinha brasileira, como o principal título de Câmara Cascudo. Um painel colorido, no qual se observa taioba, serralha, café coado, tem como elemento central e mais simbólico duas mulheres a mexer uma gamela de milho, prestes a virar farinha.

São detalhes, mas dão pistas do que se faz ali para comer: uma cozinha de veio caipira, feita com simplicidade e esmero, que tira do escanteio ingredientes comezinhos —e às vezes rejeitados, o jiló (cortado fininho, empanado e frito), o chuchu (que, marinado, enriquece uma salada), o quiabo (que, refogado, faz companhia ao arroz de costelinha).

Lisandra Amaral, 32, é uma cozinheira estudiosa. Vê encanto na pesquisa das tradições do Vale do Paraíba, que outrora encheu a mesa tão celebrada por Monteiro Lobato. Neta de um tropeiro e de uma quilombola, ela transporta um pouco do conhecimento que acumulou nas cidades interioranas nas quais morou para sua cozinha.

Ali surgem pratos que variam dia a dia (a R$ 29, com salada), eis um cardápio em constante mudança, que ainda não tomou forma —quiçá seja essa sua essência. Pode haver um ou dois a cada almoço, que se estende até o final da tarde, uma beleza, e vem na companhia de uma saladinha básica, mas caprichada. Um exemplo é a de folhas com feijão-andu firme, milho e vinagrete e um tempero agradavelmente ácido, recorrente em todas as saladas da casa, aliás.