terça-feira , 22 agosto 2017

Óleo de coco faz bem ou mal? Especialistas falam sobre o assunto; consumidores aprovam

Na comida, na pele e nos cabelos. Quando se fala em melhoria para a saúde é comum encontrar indicações para usar o óleo de coco. Ele se tornou aliado do bem estar de muita gente. Em algumas culturas ele é milenar e fornece mais de 60% das calorias diárias, quase inexistindo os problemas cardíacos. Para alguns especialistas, o uso é recomendado. Já outros preferem não indicar. Afinal, o óleo de coco faz bem ou mal à saúde?

Para a nutricionista Rayanne Alves Pimentel, o uso depende de cada metabolismo. É uma gordura saturada que faz mal se consumida sozinha. Por ser de cadeia média, entra no intestino de forma fácil. A palavra-chave é ter equilíbrio e saber quando usar. Já quem quer emagrecer dever seguir uma junção de fatores.

“Não acho legal cozinhar. É bom usar puro associando ao que tenha fibra, como abacate e até o próprio coco. Se você está cansada, por exemplo, jogue na banana da terra e coma. Ele não combina com arroz integral, por ser mais doce. E não adianta fazer uma atividade física, chegar e comer um sanduíche. Não muda nada”.

A nutricionista destaca que o óleo de coco gera energia (no café não é contra indicado, mas pode causar taquicardia) ajuda no funcionamento do intestino, deixa a pele mais hidratada (mas não deve substituir a água) e melhora a imunidade. O Ministério da Saúde não específica, mas 2 ml (uma colher por dia), são suficientes.

“Vi uma palestra onde um professor disse que a pior gordura pior é a do corpo. É importante saber a procedência, de onde vem e ter moderação. As frituras em geral são maléficas e não devem ser consumidas. A gordura é necessária e benéfica em vitaminas (abacate, castanha e coco), mas evite as industrializadas: canola, soja, bacon, hambúrgueres, pizza, sorvete. Tudo que contem gordura não saudável”, finalizou.

Para o cardiologista Schariff Moysés, o produto obtido a partir da polpa do coco fresco maduro faz tão mal quanto manteiga e pode ser tornar vilão. A explicação está na quantidade de gordura saturada (82%) que entope as artérias com colesterol ruim (LDL) e traz outro agravante: as doenças cardiovasculares são responsáveis por 43% das mortes mundiais.

“A Associação Americana de Cardiologia alertou para a quantidade de gordura saturada no óleo de coco, que é tão ruim quanto manteiga. Ao meu ver, é modismo. Acho que ele é maléfico para o organismo, rico em gordura saturada. Eu não recomendo o uso”, afirmou o cardiologista.

Ainda de acordo com a pesquisa da associação, o óleo de coco tem 82% de gordura saturada, mais que gordura bovina e banha de porco. Em terras americanas ele é consumido por 72% da população. Para Moysés, foi um grande erro pensar que ele poderia resolver tudo. “Não há pesquisa no Brasil, mas a Americana já mostrou isso”.

No dia nacional de combate ao colesterol, 8 de agosto, o cardiologista recomendou a substituição por óleos ricos em gordura insaturadas. “Não usem o de coco. Prefiram canola, amendoim e milho, que são mais saudáveis”

óleo de cocoOutras pesquisas
Uma metanálise publicada em 2015 no British Medical Journal (BMJ), feita pelo especialista em cardiologia intervencionista de Londres, Dr. Aseem Malhotra, mostrou que todos os dados cientificamente relevantes conhecidos até hoje sobre a ingestão de gordura saturada e doenças cardíacas não apoiam qualquer associação significativa entre gordura saturada e risco cardiovascular.

Ainda em relação a pesquisas, o LDL é composto por 11 tipos de lípides, sendo que somente 2 são nocivos. Os outros 9 são essenciais para a saúde. Outra análise feita com 136 mil pacientes em 2009, concluiu que quase da metade dos que foram hospitalizados com problemas cardíacos tinham o LDL normal ou baixo. Já outro estudo sobre o elevado teor de gordura saturada do coco em Ilhas da Polinésia diz que “não há evidências que um elevado consumo de gorduras saturadas cause qualquer efeito nocivo nessas populações”.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) se manifestaram contra o uso do produto. Segundo eles, não há estudos científicos que comprovem a eficácia antibacteriana, antifúngica e antiviral do óleo de coco. Dessa forma, não recomendam a prescrição médica.

óleo de coco no cabeloConsumidores
A bibliotecária Lorrany Müller usa o óleo de coco há dois anos de duas formas: para nutrir o cabelo durante a noite (efetuando a lavagem pela manhã); e no rosto, para esfoliação com açúcar durante 20 minutos. “Comecei a usar pela técnica Low Poo, para lavar os cabelos com produtos sem sulfatos e parafina. Com ela, aprendemos a usar os mais naturais. Usamos óleo de coco para nutrir e babosa para hidratar. Faço parte de um grupo no facebook, e ele é muito recomendado. Até conhecer a técnica, não sabia dos benefícios do óleo de coco”.

Ainda segundo ela, o resultado no cabelo é quase instantâneo. Se estiver muito ressecado, a dica é usar o óleo de coco logo após a lavagem. Já o rosto fica mais hidratado. “Tem muitos benefícios. Indico o uso para pessoas que buscam o uso de produtos mais naturais”, disse.

O neurocirurgião José Augusto Lemos consome o óleo de coco há 3 anos. Para ele, há uma leitura errada quando se fala em alimentos saudáveis e seu consumo para tudo. “Não é porque é termoestável (resistente a temperatura) e com uma gordura um pouco melhor que pode ser consumido em excesso. Isso é tolice”.

Disse ainda que a proposta do óleo de coco é uma dieta com mais gordura e menos carboidrato, as chamadas Low Carb que força o organismo a consumir reservas. Mas ela vai funcionar de maneiras diferentes para um. Ressaltou também que não há como comparar gordura do coco a do abacate e soja (por exemplo), submetidos a frituras o dia inteiro.

“Querem polemizar em cima de um alimento, mas endossam o uso do óleo de canola, feito de uma planta que os animais não comem. Não digo para abraçar a causa, mas ter senso crítico e procurar assistência de um profissional. Muitas vezes a informação é nos achismos ou no ouvi falar. Isso não funciona. São condutas que colocam a saúde das pessoas em perigo”, afirmou.

A executiva de vendas internacionais Mila Romanelli trocou o óleo de soja pelo de coco há um ano e meio por indicação de uma nutricionista porque queria mudar os hábitos alimentares. A médica indicou fortemente o uso de produto. Com 10 kg de gordura a menos, e 7 kg de massa magra a mais, ela ressalta que o sucesso não é pelo uso do óleo de coco sozinho.

“Fez parte de pacote, que foi muito bom e visível. Eu uso em peixe e frango. Não como mais arroz, e sim batata doce, que não precisa de óleo, assim como a salada. Isso faz uma diferença enorme. Intensifiquei mais atividade física e ganhei massa magra. O inconveniente é o cheiro, que eu demorei cerca de um mês para me acostumar. Mas eu estava focada e hoje nem sinto mais. Ajuda muito. Sempre estive acompanhada de profissionais. Fui foi obediente e fazia tudo o que era indicado”, afirmou.

 

ES HOJE