terça-feira , 22 agosto 2017

Furto de energia elétrica gera oito flagrantes por mês no ES

No Espírito Santo são registrados, em média, dois furtos de energia elétrica por semana, um total de oito flagrantes por mês. Em 90% dos casos, são empresários de padarias, supermercados e concessionárias que para não pagar o valor real da conta, fazem o conhecido “gato”. Os dados são da Delegacia de Segurança Patrimonial.

O delegado Fabiano Rosa informou que não há um perfil nesse tipo de casos. Da classe média a periferia na Grande Vitória e interior, eles vão desde o empresário de 26 anos conduzido a esclarecimentos na última quinta-feira (3), por furtar 70% da energia em uma concessionária de luxo na Av. Fernando Ferrari, até um idoso de 70 anos flagrado na semana anterior.

“A concessionária (EDP/Escelsa) faz um levantamento preliminar, e consegue identificar quando constata a redução da energia. Feita a ocorrência nos verificamos. E quase sempre é positivo. Com vários freezer e ar-condicionado ligado o dia inteiro, eles confirmam e dizem que é para pagar menos”.

Para o delegado, é um mal que acontece na sociedade como um todo. Mas o famoso “jeitinho brasileiro” para levar vantagem, burlar e tentar reduzir o custo da energia de forma ilegal acaba sobrando para os consumidores, já que a concessionária precisa transferir o valor. E para o responsável, que acaba pagando o que não queria de forma retroativa. “Acham que vão se dar o bem o resto da vida. A empresa descobre e a polícia atua”.

A pena máxima para esse tipo de crime é de quatro anos. O delegado explicou que após ser conduzido à delegacia, é preciso arbitrar fiança para que o responsável responda em liberdade. Caso não pague, ele é encaminhado ao presidio e tem que comparecer a uma audiência de custódia no dia seguinte. Mas são liberados em 90% das vezes.

“Pode ocorrer de manter a fiança para que que a pessoa responda em liberdade. Mas há casos em que o juiz reduz ou até mesmo libera sem ela. Como a pena mínima é de um ano, na fase de ação penal o promotor de justiça propõe a suspensão do processo, desde que o responsável cumpra algumas medidas impostas. Pode ser serviço comunitário, pagamento para uma casa de caridade, se apresentar todo mês ao fórum e até ser proibido de sair do Estado. Coisas que acabam atrapalhando a vida particular”, disse o delegado.

Ainda segundo ele, ações da polícia (como a prisão do empresário) surtem um efeito pedagógico. Quem comete esse crime sabe que uma hora ou outra será descoberto. Junto a divulgação da imprensa, os resultados tem sido positivos. “Eles sabem que não podem andar sem cinto, mas andam; que não podem fazer ligação clandestina, mas fazem. Só aprendem quando dói no bolso”, concluiu Rosa.

Irregularidades cresceram 57%

A Escelsa informou que realiza atividades em campo com equipes técnicas treinada e equipamentos específicos para identificar manipulações nos medidores ou qualquer anormalidade na rede. Só no primeiro semestre de 2017, foram mais de 57 mil fiscalizações em 70 municípios capixabas. O volume recuperado abasteceria o município de Linhares por um mês. Comparado ao mesmo período de 2016, as irregularidades cresceram 57%.

Disse ainda que além do alto risco para a população e do impacto negativo na qualidade da energia elétrica, este tipo de prática representa um acréscimo no valor da conta de luz dos clientes regulares, além do prejuízo à distribuidora. A ação pode provocar sobrecarga na rede elétrica, e ocasionar interrupção ou oscilação do fornecimento nas residência e vias públicas.

Informou também que as ligações irregulares trazem risco de acidentes mais sérios, como a morte do infrator ou de terceiros, pois os cabos da rede elétrica sempre estão energizados. E que os maiores lesados são os próprios clientes. Como a tarifa abrange também as perdas elétricas, o custo da energia usada irregularmente é parcialmente repassado a todos os usuários da rede.

 

ES HOJE