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	<title>rio doce &#8211; Jornal Entrevista</title>
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		<title>Colatina tem duas novas estruturas de esgotamento sanitário finalizadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação QCE]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 16:16:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Obras]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[obras de saneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Colatina, no noroeste do Espírito Santo, foram concluídas duas obras de saneamento. Elas abrangem o sistema de esgotamento sanitário (SES) da região sul da cidade, incluindo a instalação de duas estações elevatórias de esgoto (EEE's) e a construção de uma linha de recalque com 3,33 quilômetros de extensão.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Sistemas de coleta e tratamento de esgoto visam a melhoria da qualidade da água do rio Doce&nbsp;</em></p>



<p>Duas obras de saneamento foram concluídas em Colatina, no noroeste do Espírito Santo. As intervenções englobam o sistema de esgotamento sanitário (SES) Lado Sul e consistem na implantação de duas estações elevatórias de esgoto (EEE’s) e uma linha de recalque de 3,33 quilômetros de extensão.&nbsp;</p>



<p>Outro empreendimento, em andamento, complementa o SES Lado Norte com quatro EEE’s e três linhas de recalque e de interceptores, totalizando 7,9 quilômetros de redes. Toda essa estrutura bombeará o esgoto que não consegue chegar à estação de tratamento, por meio de gravidade.</p>



<p>Até maio de 2024, juntas, essas obras receberam o investimento de R$ 9,7 milhões, como parte das medidas compensatórias pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). As ações visam a melhoria da qualidade da água do rio Doce.</p>



<p>Além disso, mais duas intervenções estão sendo iniciadas no município de Colatina. Elas preveem a construção de outras duas EEE’s e a complementação da segunda etapa da estação de tratamento de esgoto (ETE) do bairro Barbados, com a construção de filtros, decantadores e tanque de desidratação de lodo. O investimento compensatório pela ruptura da barragem é de R$ 13,4 milhões, acrescido ao valor de R$ 9,9 milhões financiado pela Caixa Econômica Federal.</p>



<p>As estruturas se somam à primeira etapa da ETE Barbados, finalizada em 2021. A operação do sistema foi iniciada em 2022 e tem capacidade para tratar até 234,2 litros de esgoto por segundo.&nbsp;</p>



<p>Somadas, as obras de esgotamento sanitário de Colatina têm o potencial de beneficiar aproximadamente 125 mil pessoas.</p>



<p><strong>Tratamento de resíduos sólidos</strong></p>



<p>A construção da central de tratamento de resíduos (CTR) de Colatina também está em fase final. Orçado em R$ 16,9 milhões, o empreendimento integra o consórcio Condoeste, de destinação adequada de resíduos sólidos, e irá abranger 22 municípios capixabas. A capacidade de processamento estimada é de 325 toneladas/dia; e o potencial, de beneficiar diretamente mais de 350 mil pessoas.&nbsp;</p>



<p>Além da CTR, o consórcio inclui a construção de quatro estações de transbordo (ET) em pontos estratégicos dos municípios Alto Rio Novo, Colatina, Itarana e Laranja da Terra. As estruturas visam o translado do lixo pelo veículo coletor a um local de maior capacidade de carga antes de ser levado ao destino final, a própria CTR. O investimento também é fruto das medidas compensatórias pelo rompimento da barragem de Fundão e foi direcionado ao Condoeste pelos municípios de Baixo Guandu, Colatina, Linhares e Marilândia.</p>



<p><strong>Obras finalizadas e em andamento</strong></p>



<p>As intervenções em Colatina integram outras ações de saneamento no Espírito Santo, como compensação pelo rompimento da barragem de Fundão. Em Linhares, na foz do rio Doce, foram concluídas duas ETEs, nos distritos de Baixo Quartel e Vila Bagueira. Também se encontra em andamento a obra dos SES da sede de Marilândia. Há ainda outras duas obras de esgotamento sanitário prestes a serem iniciadas nos distritos de Povoação e Regência, em Linhares.</p>



<p>Até maio de 2024, R$ 31,7 milhões de ações compensatórias haviam sido repassados às prefeituras desses quatro municípios capixabas e ao Condoeste, por meio do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), do montante de R$ 188 milhões disponibilizados ao estado.</p>



<p>Fonte: Fundação Renova</p>



<p></p>
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		<title>Inscrições para pesquisa de biodiversidade na bacia do rio Doce vão até o dia 29 de julho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação QCE]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jul 2024 16:17:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Oportunidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[estudos]]></category>
		<category><![CDATA[inscrições]]></category>
		<category><![CDATA[projetos]]></category>
		<category><![CDATA[rio doce]]></category>
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					<description><![CDATA[Estão abertas as inscrições para o quinto edital do Projeto Biodiversidade Rio Doce, destinado a pesquisas sobre a fauna e flora da bacia do rio Doce. O objetivo é impulsionar o conhecimento científico e reforçar estratégias de conservação na região. O chamamento público irá até 29 de julho, oferecendo um total de R$ 6,4 milhões para as propostas selecionadas, com o limite de R$ 800 mil por projeto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Quinto edital da parceria com o Funbio destinará R$ 6,4 milhões para instituições sem fins lucrativos estudarem as espécies-alvo terrestres</em></p>



<p>Estão abertas as inscrições para o quinto edital do Projeto Biodiversidade Rio Doce, voltado para pesquisas sobre a fauna e a flora da bacia do rio Doce com o objetivo de fomentar conhecimento científico e fortalecer estratégias de conservação na região. O chamamento público, que irá até 29 de julho, disponibilizará R$ 6,4 milhões às propostas selecionadas. O valor máximo a ser solicitado por projeto é de R$ 800 mil.</p>



<p>Com o tema “Apoio a projetos de pesquisa que subsidiem a translocação para conservação (enriquecimento, reintrodução ou reforço populacional) de espécies-alvo”, o edital é realizado em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).</p>



<p>A chamada é direcionada a instituições sem fins lucrativos de todo o Brasil que contemplem parcerias com associações civis, fundações privadas ou cooperativas de Minas Gerais ou do Espírito Santo. Os projetos escolhidos deverão ser executados em até 24 meses. Os interessados em se inscrever podem enviar suas propostas até as 23h59min (horário de Brasília) do dia 29 de julho de 2024, por meio do formulário eletrônico disponível no site&nbsp;<a href="https://chamadas.funbio.org.br/conservacao-rio-doce" rel="noreferrer noopener" target="_blank">https://chamadas.funbio.org.br/conservacao-rio-doce</a>.</p>



<p>Até o final da ação, o Projeto Biodiversidade Rio Doce investirá R$ 29,10 milhões em até 39 projetos selecionados em cinco chamadas públicas. Das quase 400 espécies-alvo do plano de ação – 365 terrestres e 32 aquáticas -, mais de 300 já foram contempladas nos estudos.</p>



<p>“O projeto é importante para aumentar o conhecimento sobre essas espécies e desenvolver estratégias de conservação. Temos apoiado tanto instituições de grande porte quanto as de menor porte, igualmente importantes para a conservação da biodiversidade na bacia do rio Doce. O que demonstra que os editais têm conseguido abranger diferentes estruturas, apoiar a formação de jovens cientistas e fortalecer instituições que fazem ciência e estão focadas nas estratégias de conservação”, afirma Andressa Gatti, especialista em biodiversidade da Fundação Renova.</p>



<p>Fonte: Assessoria de Comunicação</p>
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		<title>Atingidos por barragem cobram repactuação justa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação QCE]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jul 2024 16:23:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[Representantes dos atingidos, instituições públicas e pesquisadores debateram os impactos do crime ambiental de 2015 na Bacia do Rio Doce e a necessidade de uma repactuação justa do acordo com as empresas responsáveis durante uma audiência pública promovida pela Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Cipe Rio Doce) na Assembleia Legislativa (Ales) nesta quarta-feira (10).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Diversos setores da sociedade compareceram à Ales em busca de justiça e reparação aos danos ambientais e socioeconômicos do crime ambiental no Rio Doce</p>



<p>Os impactos do crime ambiental ocorrido em 2015 que atingiu a Bacia do Rio Doce e a necessidade de uma repactuação justa do acordo com as empresas causadoras do desastre foram debatidos em audiência pública promovida pela Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Cipe Rio Doce). O evento aconteceu na tarde desta quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa (Ales) e reuniu representantes dos atingidos, de instituições públicas e pesquisadores.</p>



<p>Na abertura dos trabalhos, a presidente da Cipe Rio Doce, deputada Janete de Sá (PSB), explicou que a audiência tinha como objetivo ouvir todas as pessoas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, com impacto em todo o Rio Doce. “A gente sente uma dificuldade muito grande dos atingidos serem ouvidos, há muito descontentamento com esse processo”, pontuou.</p>



<p>O deputado estadual Hudson Leal (Republicanos) falou que também é um atingido, pois tem embarcação e propriedade em Linhares. Ele pediu o reconhecimento de todo o litoral do Espírito Santo como área afetada e uma repactuação que beneficie a todos: pescadores, agricultores e demais atingidos.</p>



<p>Além dos citados, participaram dessa abertura dos trabalhos o coordenador da Cipe Rio Doce, Hernandes Bermudes, o assessor do deputado Lucas Scaramussa (Podemos) Arthur Loss, o procurador da Ales Ricardo Benetti e a defensora pública Maria Gabriela.</p>



<p><a href="https://www.flickr.com/photos/assembleialegislativaes/albums/72177720318695913/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fotos da reunião</a></p>



<p>A sequência da audiência foi dividida em três mesas de trabalho e um momento final de perguntas e respostas. A primeira mesa debateu as “Perspectivas de reparação no desastre do Rio Doce: aspectos judiciais, deliberação 58 e repactuação”.&nbsp;</p>



<p>De acordo com o defensor público estadual e coordenador do Núcleo de Atuação em Desastres e Grandes Empreendimentos da Defensoria, Rafael Mello, a instituição lutou pelo reconhecimento do litoral norte do Estado como atingido pelo rompimento (Nova Almeida, Serra, Conceição da Barra, Aracruz, Linhares e São Mateus), medida obtida em 2024 com a&nbsp;<a href="https://pge.es.gov.br/Media/pge/docs/cif-2017-03-31-deliberacao_58.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Deliberação 58</a>.</p>



<p>Ele exaltou especialmente a luta das mulheres e dos pescadores afetados pelos direitos dos atingidos, citou as vitórias pelos pagamentos do auxílio financeiro emergencial, a regularidade dos lucros cessantes anuais dos pescadores e, ainda, a discussão pelos direitos coletivos, como o abastecimento de água regularizado. “Conseguimos a primeira condenação esse ano e a gente luta para que o dinheiro seja revertido para as comunidades”, afirmou.</p>



<p>Segundo Elaine Costa de Lima, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Trabalho de Recuperação do Rio Doce (GTRD) do Ministério Público estadual (MPES), os danos são multifacetados e apesar de valores estarem sendo debatidos, a luta é pela garantia de reparação dos 11 municípios capixabas incluídos na Deliberação 58.</p>



<p>Ela destacou que todas as demandas encaminhadas são incorporadas às propostas de repactuação e listou algumas: programa de retomada econômica dos municípios e das pessoas atingidas; programa residual de indenização para as pessoas que não foram indenizadas; criação de um fundo para estruturação da pesca; universalização do saneamento básico nos municípios afetados; e um fundo perpétuo para a saúde e execução das medidas ambientais, como restauração florestal e das nascentes.</p>



<p>Para a promotora, a Fundação Renova não vem cumprindo adequadamente o papel dela na reparação aos municípios e aos atingidos e desde 2016 a prestação de contas da fundação não é aprovada pelo Ministério Público. Por fim, criticou a postura das empresas envolvidas diante das mulheres atingidas, classificada por ela como “inaceitável”, e informou que existe uma ação neste sentido com vistas à inserção das demandas das mulheres no novo acordo.</p>



<p>Frederico Soares, defensor público da União que atua no âmbito dos Direitos Humanos no Espírito Santo, abordou a questão dos povos tradicionais atingidos pelo crime ambiental, como os indígenas e os quilombolas. Ele contou sobre a luta por indenizações que garantam uma efetiva reparação e pela criação de programas básicos ambientais nesses territórios.</p>



<p><strong>Impactos socioeconômicos e ambientais</strong></p>



<p>A segunda mesa teve como mote “Os impactos socioeconômicos e socioambientais no Rio Doce e os novos acordos de reparação dos danos provocados”.&nbsp;</p>



<p>Um dos participantes foi o coordenador Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Heider Boza. Para ele, houve um primeiro crime em 2015, que segue até hoje por causa da contaminação das águas; e um segundo crime com a criação da Fundação Renova, que na visão dele viola os direitos dos atingidos. A preocupação é que a repactuação em curso seja um terceiro crime.</p>



<p>“A gente não faz parte da mesa de repactuação. Como está seguindo, caminhamos para um terceiro crime. (..) A gente quer ser ouvido, mas precisamos do retorno, debater ideias, confrontar, e isso a repactuação não garante. (&#8230;) Temos um grupo grande de pessoas que não foram reconhecidos”, alertou.</p>



<p>Nilton José dos Santos, agricultor ribeirinho atingido de Linhares, disse não haver indenização justa para os afetados e, devido a isso, eles partiram para a luta contra as empresas. Ele mostrou imagens da plantação de cacau dele antes e depois do crime contra o Rio Doce. De acordo com o produtor rural, a falta de água após o crime inviabilizou a lavoura.</p>



<p>O presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes) João Carlos Fonseca, o Lambisgóia, fez uma apresentação do percurso da lama da barragem de Minas Gerais até o Espírito Santo. Ele lembrou que o Rio Doce é a fonte do camarão do Estado todo, não apenas dos municípios diretamente atingidos, e, por isso, todos devem ser indenizados.</p>



<p>Lambisgoia mostrou uma série de fotos de pescados do Rio Doce com diversas alterações, como uma espécie de tumores. “Antes de fazer a repactuação peço que olhem com carinho para os atingidos, principalmente os pescadores”, clamou.</p>



<p>A representante da Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai) e coordenadora do projeto de Assessoria Técnica Independente na Bacia do Rio Doce, Lidiene Souza, reforçou que os problemas não foram causados pelas pessoas, mas pelas empresas e pela Fundação Renova.</p>



<p>Segundo Lidiene, a contaminação e a permanência da lama no Rio Doce têm causado problemas na vida econômica e no modo de vida das pessoas. “São nove anos que agricultores, o turismo, o comércio, os serviços, o pessoal do surfe e a pesca estão sofrendo com esses danos”, apontou.</p>



<p>Pesquisa feita pela Adai indicou que as famílias da região têm medo de consumir o pescado. “Oito em cada 10 famílias pararam com o consumo e a venda do peixe. Não existe segurança para o consumo do pescado. Isso não mexe só com a vida econômica, mas com a cultura alimentar dessas famílias”, ressaltou.</p>



<p>Para o engenheiro florestal e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce), José Carlos Loss Júnior, o dano no rio foi muito amplo. Ele mencionou que o comitê jamais foi chamado para participar do grupo responsável pela repactuação. Também considera fundamental incluir na repactuação a implantação de programa de monitoramento das águas e dos sedimentos, a recuperação das nascentes e restauração florestal, e a melhoria dos sistemas de tratamento de água e esgoto.&nbsp;</p>



<p>A secretária executiva do Comitê Gestor Pró-Rio Doce do Espírito Santo, Margareth Coelho, falou que desde o início o grupo trabalhou para suportar os efeitos da lama no Estado, mas que ninguém imaginava a dimensão do desastre. Ela classificou o fato como “o maior desastre da indústria de mineração do mundo”.</p>



<p>“Temos um conjunto de informações de antes da chegada da lama. Esse desastre ao longo dos anos foi se caracterizando não só como físico, mas também como químico e biológico”, enfatizou. “É um desastre dinâmico, toda vez que chove esses rejeitos se movem”, completou.</p>



<p>Ela também apontou três cadeias produtivas amplamente impactadas: turismo, pesca e agropecuária. Informou, ainda, que o sistema CIF (Comitê Interfederativo), do qual ela faz parte, tem a obrigação de orientar, monitorar e fiscalizar as ações da Fundação Renova.</p>



<p><strong>Qualidade da água</strong></p>



<p>Dois professores que integram o Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática – Porção Capixaba do Rio Doce e Região Costeira e Marinha Adjacente (PMBA), executado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), também falaram na audiência. Renato Rodrigues Neto tocou na questão da água e dos sedimentos.&nbsp;</p>



<p>Ele contou que o grupo foi 12 dias antes de a lama chegar à foz do Doce para coletar amostras e que as análises químicas apontaram coisas comuns existentes na natureza, como ferro e alumínio, todas em concentrações normais. Entretanto, as amostras coletadas posteriormente indicaram alterações nos compostos analisados, alguns, de forma elevada. “Temos bastantes evidências do processo de contaminação e poluição”, garantiu.</p>



<p>Já o professor Adalto Bianchini recordou aos presentes que, por conta do desastre, inúmeros metais atingiram o rio e reportou que esses metais não podem ser destruídos e ficam se movimentando. Ele falou que 11 elementos são monitorados e ,de modo geral, os pescados dos locais atingidos possuem certo grau de contaminação, representando riscos para a população.</p>



<p>“Estamos vivenciando um efeito crônico, por não serem destruídos os metais vão continuar agindo. Vêm do rio, desce, se acumula na foz, encontra o mar, se não consegue avançar no mar ele espraia pela costa do Estado, da Bahia e até a costa norte do Rio de Janeiro. É praticamente impossível retirar essa quantidade de metais (das águas)”, observou.</p>



<p><strong>Visão dos atingidos</strong></p>



<p>A terceira e última mesa da audiência teve como tema “Rompimento da barragem de Fundão: A visão do atingidos”. Luciana Souza de Oliveira, moradora de Regência e representante do Fórum da Foz e dos Atingidos nos Conselhos Municipal e Estadual de Vulnerabilidade Social do Espírito Santo, criticou a falta de representantes dos atingidos na mesa da repactuação. “O atingido não precisa de porta-voz, ele fala por si. Quem sofre com o desrespeito são os atingidos”, disparou.</p>



<p>Josué dos Santos Neto, produtor rural de cacau de Povoação, distrito na Foz do Rio Doce, em Linhares, falou que há 9 anos a plantação dele sofre com os efeitos dos minérios. “Estou passando por várias dificuldades. Minha produção caiu a zero, tentamos retomar esse ano. Nosso terreno é plano, moro a 40 metros do rio e não tenho fornecimento de água potável”, lastimou.&nbsp;</p>



<p>Outro participante de Povoação foi Peterson da Silva Pontes, representante da comunidade. Ele enfatizou o sofrimento diante da impunidade após 9 anos da tragédia ambiental. “Mudou o modo de vida de milhares de pessoas ao longo do Rio Doce e a Vale, Samarco e BHP Billiton estão impunes por matarem 19 pessoas e atrapalharem a vida das pessoas”, afirmou. Ele pediu medidas rigorosas contra as empresas e reforçou que os atingidos apenas querem justiça.&nbsp;</p>



<p>Por fim, falou Varner de Santana Moura, coordenadora da Comissão Municipal e Territorial de Marilândia e Colatina e coordenadora do Coletivo de Mulheres nas Comunidades Ribeirinhas de Marilândia. “O pescado antes era fonte de renda e de proteína, mas hoje isso se tornou impossível. Se os peixes estão contaminados daquela forma, imagina nós que estamos bebendo essa água contaminada?”, indagou.</p>



<p>Ela lembrou que quando ocorrem enchentes no rio o terreno é novamente contaminado, prejudicando a produção rural, inclusive, apontou redução na plantação de cacau de Linhares em virtude de boa parte da lavoura ser feita na margem no rio. Também relatou que &nbsp;árvores estão morrendo e não produzem mais como antigamente. Toda essa situação estaria levando a problemas sociais, com pessoas com sintomas de depressão.&nbsp;</p>



<p><strong>Questionamentos</strong></p>



<p>Após o encerramento das mesas foi aberto um espaço para que os atingidos pudessem fazer perguntas para os presentes e sugerir medidas a serem incluídas na repactuação do acordo. Entre as solicitações estiveram ações para ocupar os jovens das comunidades afetadas; melhorias no sistema de cadastro da Renova; pedidos de proibição da pesca em todo o Rio Doce e não apenas na Foz, como está atualmente; indenização vitalícia para os pescadores; inclusão de Patrimônio da Lagoa, em Sooretama, como área atingida; acompanhamento da saúde dos afetados; ampliação dos pontos de monitoramento da água; distribuição de água potável para os afetados; monitoramento dos animais domésticos; e ações para revitalizar os comércios das regiões afetadas.</p>



<p>O defensor público Rafael Mello respondeu algumas dessas demandas. Ele disse estar tomando providências a respeito do cadastro dos atingidos para que recebam as devidas indenizações. Também ressaltou que a Defensoria e o Ministério Público vão cobrar reparação justa na repactuação. Acolheu as solicitações de participação social dos atingidos e relatou que por diversas vezes as empresas atuaram para barrar a participação dos afetado, mas assegurou que as instituições lutam por isso. O defensor também se comprometeu a buscar estruturas para as crianças e os jovens.</p>



<p>Ao final dos trabalhos, Janete de Sá fez um compilado dos demais pedidos e anunciou as seguintes medidas: pedido de monitoramento da saúde da população atingida à Secretaria de Estado da Saúde; reconhecimento como atingidos de toda a cadeia de pescadores e marisqueiros do Espírito Santo e dos agricultores ribeirinhos da Foz do Rio Doce; ampliação da abrangência para repactuação de mais áreas, como Patrimônio da Lagoa, em Sooretama; inclusão dos impactos aos animais domésticos; reunião com a Renova para implantar as ações da Deliberação 58; monitoramento das barragens em Minas Gerais; medidas para garantia da segurança alimentar dos atingidos; e, ainda, o reconhecimento das mulheres atingidas.</p>



<p>Fonte: ALES</p>
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		<title>Revitalização do Rio Doce é tema de audiência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação QCE]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2024 16:29:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Na quarta-feira (10), ocorrerá uma audiência pública sobre "Os Impactos e a Revitalização do Rio Doce" no plenário Dirceu Cardoso, das 13h às 18h. O evento é promovido pela Comissão Parlamentar Interestadual de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Debate é uma iniciativa da Cipe Rio Doce e acontece à tarde, no Plenário Dirceu Cardoso&nbsp;</p>



<p>Ñesta quarta-feira (10) acontece a audiência pública “Os Impactos e a Revitalização do Rio Doce” no plenário Dirceu Cardoso, das 13 às 18 horas. O debate é uma iniciativa da Comissão Parlamentar Interestadualde Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce).</p>



<p>Atual presidente da Cipe Rio Doce, a deputada Janete de Sá (PSB) afirmou que os parlamentares mineiros Leleco Pimentel (PT) e Celinho Sintrocel (PCdoB), também integrantes do comissão, estarão presentes para discutir a situação dos atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2015.</p>



<p>“Vamos verificar como está a recuperação do Rio Doce, degradado pela lama de rejeitos que desceu de Minas até chegar na foz de Regência, distrito de Linhares, antes de chegar ao mar, além de fiscalizar como anda a reparação dos danos materiais aos atingidos”, afirmou.&nbsp;</p>



<p>Janete adiantou ainda que haverá participação especial de expositores das comunidades de Regência e Povoação (Linhares), além de relato de um produtor de cacau que foi impactado pela tragédia.</p>



<p>Fonte: ALES</p>
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