segunda-feira , 20 novembro 2017

MPES denuncia seis acusados pelo homicídio de médica

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, denunciou nesta sexta-feira (27/10) seis acusados pelo homicídio da médica Milena Gottardi Tonini Frasson, crime cometido no dia 14 de setembro deste ano. Hilário Antônio Fiorot Frasson, Esperidião Carlos Frasson, Valcir da Silva Dias, Hermenegildo Palauro Filho e Dionathas Alves Vieira foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual (artigo 121, § 2º, inciso I, IV e VI, e art. 347, parágrafo único, na forma do art. 29, c/c art. 69, do Código Penal), além de Bruno Rodrigues Broetto pelo crime de feminicídio (artigo 121, § 2º, inciso IV, na forma do art. 29, do Código Penal).

Conforme os autos do inquérito policial, no dia 14 de setembro de 2017, por volta das 19 horas, no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hospital das Clínicas), o denunciado Dionathas, a mando dos denunciados Hilário e Esperidião, com a participação dos denunciados Valcir, Hermenegildo e Bruno, efetuou disparos de arma de fogo contra a vítima Milena Gottardi Tonini Frasson causando a morte dela no dia seguinte.

Segundo os autos, Hilário era casado com a vítima há 13 anos e passou a apresentar um comportamento agressivo e obsessivo para com a vítima, o que levou ao fim da relação conjugal. O fato não foi aceito por ele e pelo sogro da vítima, Esperidião, que tomou a separação como uma ofensa à família. Assim, ambos decidiram matar a médica e, com o auxílio de Valcir e Hermenegildo, contrataram Dionathas, pelo valor de R$ 2.000,00 para cometer o crime. O acusado Bruno repassou a Dionathas a motocicleta usada na execução do crime.

No dia e hora do crime, Valcir e Hermenegildo foram ao hospital e entregaram a Dionathas a arma utilizada para efetuar os disparos. Por volta das 18 horas, o denunciado Hilário telefonou para a vítima para se certificar de que ela estava no local e o horário que sairia de lá. Em seguida, telefonou para Esperidião, que repassou as informações para Valcir, de modo concretizar a prática do homicídio.

Quando a vítima deixou o hospital e se aproximou do veículo com outra médica, no estacionamento, Dionathas anunciou um assalto, determinando que ambas entregassem os pertences. Sem que esboçassem reação, Dionathas efetuou disparos em regiões letais exclusivamente contra a vítima Milena, executando o crime para o qual foi contratado, fugindo do local em seguida numa motocicleta

Recompensa

Consta nos autos que o crime foi praticado por Valcir, Hermenegildo e Dionathas mediante promessa de recompensa feita por Hilário e Esperidião, denotando a torpeza da prática do crime pelos cinco denunciados. O crime revelou-se de motivação torpe em relação ao denunciado Hilário, também, por ter determinado a morte da esposa em razão de não aceitar que ela pusesse fim ao casamento. Já o denunciado Esperidião agiu por motivo torpe, também, pois, com Hilário, determinou a morte de Milena por considerar um ultraje à família o fim do casamento.

Incide ainda no caso a qualificadora do feminicídio. O crime foi praticado contra mulher por razões do sexo feminino, com violência doméstica e familiar contra Milena, que foi executada por determinação de Hilário e Esperidião, cônjuge e sogro, respectivamente, situação que era do conhecimento de Hermenegildo, Valcir e Dionathas.

A execução da vítima arquitetada pelos denunciados Dionathas, Valcir, Hermenegildo, Hilário e Esperidião consistia em matar Milena simulando um roubo, para despistar a autoria do delito. Assim, de acordo com o combinado e agindo por determinação dos mandantes, após a execução do homicídio, Dionathas levou com ele o telefone celular de Milena, inovando artificiosamente o estado de coisa a fim de induzir a erro o juiz do caso, com a intenção de fazer parecer que se tratava de um crime de latrocínio para desviar a elucidação do crime e ocultar os verdadeiros autores do delito. Dionathas se desfez do aparelho logo após o crime e o celular não foi encontrado até o final das investigações.

Pedidos de prisão

Foi pedida a conversão da prisão temporária em prisão preventiva dos seis denunciados como forma de garantia da ordem pública e da instrução processual. Segundo a manifestação ministerial, a morte de Milena foi praticada com extrema frieza, premeditação e planejamento, por motivo abjeto, sem qualquer preocupação dos denunciados em deixar duas crianças sem a convivência com a mãe. Dessa forma, os denunciados são indivíduos de alta periculosidade, com histórico de envolvimento em crimes e temidos na região em que residem e que, em liberdade, intimidarão testemunhas.

Outra manifestação foi pelo encaminhamento das provas obtidas para serem juntadas ao procedimento administrativo disciplinar (Investigação Sumária) que tramita na Corregedoria-Geral da Polícia Civil contra Hilário e em eventual procedimento administrativo (PAD) dele decorrente.

Por

Assessoria de Comunicação

Ministério Público do Estado do Espírito Santo.