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6 de agosto de 2025A preocupação com a saúde, o bem-estar físico e a formação dos jogadores de futebol, especialmente, quando estão na infância e juventude, foi tema de debate na Comissão de Turismo e Desporto nesta terça-feira (05). O colegiado recebeu o professor de educação física e técnico de futebol, Guilherme Filgueiras de Carvalho. Ele é autor de livros sobre o tema, inclusive, a obra “Crianças, adolescentes e jovens no Futebol: obstáculos e possibilidades”.
O convidado apontou os riscos físicos e psicológicos a que os menores estão submetidos ao treinarem e participarem de competições que sigam os mesmos critérios do esporte para os adultos. Para o professor, é preciso que sejam feitas adaptações para que crianças e adolescentes pratiquem o futebol. Isso inclui as dimensões de campo, das traves e o peso das bolas, apenas para citar alguns exemplos.
Regulamentação de novas dimensões
Em alguns países, especialmente na Europa, e também em outros estados brasileiros, como São Paulo, já há regulamentação no sentido de adaptar essas dimensões para treinos e jogos de crianças de até 15 anos de idade.
Um dos critérios é o tamanho do campo que, em média, tem 120 metros por 90 metros e, com a adaptação, passaria a ter até no máximo 72 metros por 50 metros. O tempo do jogo também deve ser menor, passando dos 90 minutos padrão (com dois tempos de 45 minutos) para 50 minutos, jogados em dois tempos de 25 minutos.
Além da preocupação física e psicológica, o professor apontou também a falha na formação dos atletas, que impacta na má qualidade do próprio esporte. “Essas ações também são em benefício da formação dos jogadores e do próprio jogo. Sem a adaptação, os jogos têm excesso de faltas, de chutões sem foco e de laterais. Mas com a adaptação a gente vai investir na essência do futebol, que são a tabela, o drible, o passe correto… Mas para isso precisa formar bem os atletas desde novos”, afirma o especialista.
Riscos dos cabeceios
O professor ainda alertou sobre outro risco para os jovens atletas: a prática dos cabeceios. Ele explicou que na Europa a prática já é proibida em função de estudos que apontam para riscos de desenvolvimento de doenças como Parkinson e Alzheimer.
“Temos que tomar cuidado para não acontecer essas doenças neurológicas sérias e gerar consciência sobre outra forma de jogar (…). Por que há cabeceio no futebol? Porque a bola é levantada. Então precisa conscientizar os atletas de que não precisa levantar a bola para ela ser jogada. Esse chutão para o alto, jogado sem nenhum benefício coletivo, pode gerar consequências”, advertiu o professor.
Formação adequada
O presidente da Comissão, deputado Coronel Weliton (PRD), destacou a importância do esporte no país e também refletiu sobre a necessidade de preparação adequada dos atletas desde a infância.
“A paixão pelo futebol é um sentimento forte e abrangente, enraizado na cultura e na identidade de muitos, especialmente, no Brasil. É um fenômeno que transcende o esporte em si, envolvendo emoções, identidade, pertencimento e até mesmo aspectos da neurociência. Em especial, o futebol de base no Brasil é um sistema de categorias e competições que visa formar jogadores para o futebol profissional, desde as categorias menores até o sub-20. O desenvolvimento nas categorias de base envolve aspectos técnicos, táticos, físicos e mentais, com o objetivo de preparar os atletas para os desafios do futebol de alto rendimento. As categorias de base buscam desenvolver não apenas as habilidades técnicas, mas também os aspectos físicos, táticos e mentais dos atletas”, avaliou o parlamentar.
Weliton ressaltou a necessidade de “discutir, sugerir e de fato apresentar propostas em benefício da formação de nossas crianças, adolescentes e jovens praticantes da modalidade futebol de campo, haja vista decisões já tomadas em vários países do mundo como a proibição do cabeceio nos treinamentos e competições da modalidade. O ser humano não foi criado para bater cabeça, podendo, em sua vida futura, apresentar doenças como o Alzheimer e o mal de Parkinson, (fatos) já comprovados cientificamente”, alertou.
O deputado, no entanto, lembrou que a Comissão não tem competência legal para definir as mudanças que são necessárias. Mas o parlamentar garantiu que, além de promover o debate, irá levar as sugestões tanto para o poder público estadual como para as federações esportivas, a fim de que sejam discutidas as alterações e regulamentadas as adaptações necessárias à prática desportiva das crianças e jovens.
Fonte: Assembleia Legislativa do Espirito Santo




































