
Samu abre processo seletivo no ES com salários de até R$ 13 mil
20 de fevereiro de 2026
Taxa sobre aço chinês pode destravar fábrica de R$ 4 bilhões da ArcelorMittal no ES
20 de fevereiro de 2026Exportações de ovos dispara 1.275% no Espírito Santo em 2025 e impulsiona o agro capixaba
As exportações de ovos do Espírito Santo deram um salto em 2025. Em um ano marcado por forte demanda internacional e por problemas sanitários em importantes regiões produtoras do mundo, a avicultura capixaba aproveitou a janela de oportunidade e ampliou sua presença no mercado externo.
Dados da Secretaria de Agricultura mostram que o estado exportou US$ 8,4 milhões em ovos no ano passado. Para se ter ideia do tamanho do avanço, em 2024 o valor havia sido de apenas US$ 608 mil, um crescimento de 1.275%. O volume embarcado também disparou: saiu de 474.956 unidades para 4.091.558, alta de 761,5%.
Com esse desempenho, os ovos entraram, pela primeira vez, entre os dez principais produtos do agronegócio capixaba exportados.
Ao todo, os ovos produzidos no Espírito Santo chegaram a 27 países. Mas o grande motor desse avanço foi os Estados Unidos. Sozinhos, os americanos responderam por 98,6% do valor exportado, com a compra de 4.047.876 unidades, o equivalente a US$ 8,25 milhões. Na sequência aparecem Ilhas Marshall (0,30%) e Libéria (0,20%).
O bom momento está ligado à capacidade dos produtores capixabas de atender a padrões rigorosos de qualidade e exigências técnicas do mercado externo. Esse diferencial ajudou a consolidar o estado como fornecedor relevante de proteína em um nicho que se abriu rapidamente.
Além disso, a crise global de influenza aviária (a gripe aviária) reduziu a oferta de ovos em outros países, especialmente nos Estados Unidos, criando espaço para novos fornecedores.
Segundo Nélio Hand, diretor-executivo da Associação de Avicultores do Espírito Santo (Aves), o mercado americano foi o principal responsável pelo salto nas exportações.
“O mercado americano acabou sendo frustrado pelo tarifaço estabelecido. Na época já tínhamos cinco produtores exportando e ainda dois preparando a estrutura para iniciar a produção e estar apto a fornecer. A avicultura chegou a exportar quase 3% da produção”, destacou.
Ele explica que, neste momento, o setor busca diversificar destinos. A estratégia é avançar sobre mercados na América do Sul, no Oriente Médio e na Europa, para manter a exportação como alternativa permanente, e não apenas como oportunidade pontual.
Para ampliar a competitividade, a Aves também atua para habilitar o Espírito Santo junto à União Europeia, abrindo caminho para o fornecimento ao bloco.
Nos Estados Unidos, os surtos de gripe aviária provocaram o abate em massa de aves poedeiras, reduzindo a oferta e elevando os preços. A partir de fevereiro de 2025, os americanos passaram a importar ovos do Brasil também para consumo humano direto, e não apenas para uso industrial, o que impulsionou ainda mais os embarques.
A confiança na sanidade da produção brasileira, aliada à logística e à capacidade de resposta rápida, consolidou o Brasil como fornecedor estratégico nesse cenário de déficit global.
Com peso importante na produção nacional, o Espírito Santo vem ganhando protagonismo. Municípios como Santa Maria de Jetibá, principal polo produtor, têm papel central nesse desempenho. O avanço das exportações representa um novo fôlego para o agro capixaba em 2026, agregando valor à produção e ajudando a compensar desafios enfrentados por outras cadeias.
Produção segue forte e mercado interno ainda é prioridade
Apesar da explosão nas exportações, a vocação principal do setor continua sendo o abastecimento do mercado brasileiro.
Em 2025, o Espírito Santo produziu 5,26 bilhões de ovos de galinha e 1,8 bilhão de ovos de codorna. A produção de postura comercial cresceu apenas 0,85% na comparação anual, mostrando estabilidade.
Hoje, 36% da produção capixaba segue para o Rio de Janeiro. Bahia (19%) e Minas Gerais (10%) aparecem na sequência. O consumo interno no próprio estado representa 28%. As exportações, mesmo com o salto registrado, correspondem a 1,5% da produção total. Outros estados absorvem 5,5%.
A concentração produtiva é marcante: Santa Maria de Jetibá responde por 91,30% da produção estadual, seguida por Domingos Martins (2,93%), Santa Teresa (1,31%), Santa Leopoldina (1,19%) e Venda Nova do Imigrante (0,90%).
No cenário nacional, Santa Maria de Jetibá também lidera como maior produtor de ovos do Brasil, segundo o IBGE. Um título que ajuda a explicar por que o Espírito Santo conseguiu reagir tão rapidamente quando o mercado internacional abriu espaço.
Finte: Folha Vitória




































