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20 de fevereiro de 2026O que esperar da economia capixaba em 2026? Agro e indústria projetam oportunidades e desafios
A economia do Espírito Santo, que nas últimas décadas tem avançado acima da média nacional, deve manter em 2026 um ciclo de desempenho consistente, dando continuidade aos resultados de 2025. O cenário, porém, tem desafios relevantes, como o tarifaço, a manutenção de juros elevados e o início dos efeitos da reforma tributária. Diante desse contexto, o agronegócio e a indústria apontam onde estão as oportunidades e quais os principais riscos para o ano.

A indústria, um dos principais componentes do PIB do Espírito Santo, tem crescido bem acima da média nacional. A expectativa do presidente da Federação das Indústrias do estado (Findes), Paulo Baraona, é de manter esse ritmo em 2026.
“A indústria do Espírito Santo cresceu 11,6% no ano passado, impulsionado sobretudo pelo setor de petróleo, bem acima da média nacional de 0,6%. Nosso setor concentra cerca de 60% dos R$ 104 bilhões em investimentos previstos para o estado até 2031, garantindo maior previsibilidade ao crescimento e reforçando a atratividade do Espírito Santo para investidores. Para este ano, a nossa expectativa gira em torno de avanços na infraestrutura, como a concessão da BR-262, a repactuação da VLI com o governo federal”, projeta o presidente da Findes.
“Ainda assim, existem desafios do século passado como o endividamento público, o patamar elevado dos juros e gargalos de infraestrutura, componentes do custo Brasil”, completa Baraona.

Colocando uma lupa na construção civil, a análise de Douglas Vaz, presidente do Sinduscon-ES, é que o mercado vai bem no estado apesar de desafios como a alta taxa de juros. A previsão do setor é realizar mais lançamentos que no ano passado.
“A economia do Estado está bem fortalecida. Vivemos um momento diferente do restante do Brasil. Poucos estados têm uma economia tão equilibrada quanto o Espírito Santo. Mesmo com os juros a 15%, conseguimos manter o ritmo de vendas, pesando a favor o nível de atividade e a chegada de imigrantes de outros estados”, afirma Douglas.
“O mercado está bastante confiante na redução da Selic para a casa de 12% até o fim do ano, o que será positivo. Temos, porém, o desafio da celeridade na aprovação de projetos junto aos órgãos públicos”, conclui o presidente do Sinduscon-ES.

Para o agronegócio capixaba, este ano deve ser mais desafiador sob a ótica de rentabilidade, especialmente para importantes atividades da agropecuária. Essa é a análise de Enio Bergoli, Secretário de Estado da Agricultura.
“Após dois anos de preços favoráveis, em 2024 e 2025, o café e o cacau registram queda de preços nesse início de 2026, ao mesmo tempo em que os custos de produção apresentam leve elevação e tendência de alta, pressionando as margens dos produtores. Ainda assim, o Estado deve colher uma boa safra de café, com volumes consistentes, embora em um cenário de preços mais ajustados, o que exige maior atenção à eficiência produtiva e à gestão dos custos”, afirma o secretário.
Na pecuária leiteira, um desafio particular persiste: “Vivenciamos uma crise estrutural em relação a preços, produtividade e produção. Mas o Governo do Estado e diversos parceiros públicos e privados continuam em parceria com o programa de apoio aos pecuaristas”.
Com exportações para mais de 130 países, o agro capixaba acompanha de perto os efeitos tarifaço ainda vigente nos Estados Unidos, um mercado estratégico para o estado.
“Essas barreiras seguem impactando segmentos importantes, como o café solúvel, o pescado e os ovos, cujas exportações perderam competitividade após a adoção das tarifas, demandando avanços nas negociações bilaterais conduzidas pelo governo federal ao longo do ano”, conclui Ênio.

O cooperativismo, que representa em torno de 8% da economia capixaba, projeta um ano de crescimento em meio a um cenário de atração de investimentos e desenvolvimento de negócios locais no estado. A avaliação é de Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES e vice-presidente do Sebrae/ES.
“O Espírito Santo chega a 2026 com um desempenho econômico consistente e tem se destacado nacionalmente em diferentes setores. Temos bases sólidas, um ambiente de negócios competitivo e setores produtivos fortes, o que nos permite projetar mais um ano de crescimento. A atração de investimentos e o fortalecimento de negócios locais continuarão sendo motores desse desenvolvimento, com protagonismo do agronegócio, da indústria e dos serviços”, afirma.
“O cooperativismo, em especial, terá papel estratégico nesse processo. De forma geral, o modelo vem crescendo acima da média, gerando emprego, renda e inclusão produtiva. Áreas como saúde, agropecuário e crédito, em que as cooperativas apresentaram avanços significativos em 2025, seguirão nessa mesma linha. Estamos preparados para ampliar essa contribuição e fortalecer ainda mais a economia capixaba”, completa o presidente do Sistema OCB/ES.
Fonte: Folha Vitória




































