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24 de julho de 2026O município de Serra foi o terceiro território visitado pela equipe do projeto “Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas”, iniciativa realizada pelo Instituto Últimos Refúgios, SEAMA e FUNDÁGUA, voltada à valorização, documentação e conservação dos manguezais do Espírito Santo.
A visita técnica foi iniciada no dia 4 de junho de 2026, mas precisou ser interrompida em função das chuvas intensas, que inviabilizaram a continuidade das atividades nos dias seguintes. Parte da programação foi remarcada e realizada posteriormente, em novas saídas de campo nos dias 17 e 22 de junho.
Mesmo com os ajustes no cronograma, a expedição revelou um território costeiro bastante diverso, com ambientes que vão desde manguezais mais estruturados, como os do Rio Jacaraípe e do Rio Reis Magos (na divisa com o município de Fundão), até pequenas comunidades de mangue sobre pedras lateríticas, lagoas com vegetação associada e córregos bastante pressionados pela urbanização.

Um início marcado por educação ambiental
A visita começou com a participação da equipe no lançamento do Centro de Educação Ambiental do IBRAFF, em Serra, a convite do ambientalista Claudiney Rocha, uma liderança local com atuação importante na defesa dos manguezais, na mobilização comunitária e na denúncia de impactos ambientais.

O espaço acolhedor chamou atenção pelo cuidado e pelo compromisso de Claudiney e de sua família com a educação ambiental e a proteção do território. A partir desse encontro, ele passou a acompanhar as visitas técnicas, contribuindo com informações locais, apoio no acesso aos pontos visitados e uma leitura mais próxima das ameaças e iniciativas em andamento no município.
Claudinei também faz parte do projeto Manguejar, que trabalha com a revitalização dos manguezais do Rio Jacaraípe, com um projeto bem planejado e com envolvimento de pesquisadores respeitados na área de conservação e pesquisa sobre manguezais. O projeto Manguejar também está se tornando um parceiro interessante de nosso projeto devido aos interesses em comum em relação à valorização dos manguezais capixabas.
Essas aproximações reforçam um dos pilares do “Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas”: conhecer os manguezais também pelas pessoas que vivem, atuam e defendem esses territórios.
Estuários e mangues sobre pedra
Nos primeiros pontos visitados, a equipe percorreu pequenos córregos e fozes ao longo do litoral de Serra. Em alguns locais, não foram encontrados vestígios de vegetação de mangue. Em outros, foram observadas pequenas comunidades de mangue associadas a formaações rochosas e lateríticas na beira da praia.
Essas pequenas comunidades de mangue sobre pedra ainda precisam ser melhor analisadas e classificadas com apoio técnico, mas já demonstram a diversidade de formações associadas aos manguezais no Espírito Santo.

Rio Jacaraípe: a vida resiste
Um dos pontos mais importantes da visita foi o manguezal do Ribeirão Juara, no Rio Jacaraípe. Com apoio do Projeto Manguejar, coordenado pela professora Mônica e com participação de colaboradores locais como Dudu, Carol, Júlio e Claudiney, a equipe conseguiu realizar a visita de barco, o que permitiu uma leitura mais ampla do território.
O manguezal do Rio Jacaraípe apresentou uma configuração bastante interessante, com bosques de mangue em pequenas ilhas, áreas de apicum e trechos fortemente pressionados pela cidade. A urbanização no entorno, a poluição da água e a fragmentação da vegetação são impactos evidentes. Ainda assim, a biodiversidade observada mostrou que o ambiente segue vivo e merece atenção especial. A resiliência da natureza é fascinante!

Reis Magos: um rio de fronteira
A equipe também esteve no Rio Reis Magos, localizado na divisa entre Serra e Fundão. Por marcar esse limite municipal, o rio foi incluído na avaliação do projeto como um sistema importante para compreender a continuidade dos manguezais na região.

Ao longo do percurso, foram observados fragmentos de manguezal, presença de fauna, peixes e atividade de pesca. Apesar de estar inserido em uma região bastante urbanizada, o Rio Reis Magos apresenta relevância ecológica, social e paisagística.
Um dos pontos que chamou atenção foi a antiga ponte de madeira sobre o rio. Mesmo com sinais de desgaste e trechos remendados pela própria população, ela segue sendo utilizada por moradores, ciclistas e motociclistas. A ponte atravessa uma área de manguezal e revela um potencial turístico e educativo ainda pouco aproveitado.
Entre beleza natural e pressão urbana
Em diferentes trechos do litoral de Serra, a equipe encontrou contrastes marcantes entre a beleza da paisagem e a pressão do desenvolvimento urbano. A visita técnica em Serra revelou um conjunto de ambientes costeiros diverso e ainda pouco valorizado em sua complexidade. O município reúne grandes sistemas estuarinos, pequenos córregos, lagoas, comunidades de mangue sobre pedra e áreas fortemente pressionadas pela urbanização.
Nem todos esses ambientes se enquadram da mesma forma na definição clássica de manguezal, mas muitos apresentam elementos ecológicos relevantes e ajudam a contar a história da relação entre o litoral, a biodiversidade e a ocupação humana no Espírito Santo.

Para o Instituto Últimos Refúgios, Serra reforçou a importância de olhar para os manguezais de forma ampla, cuidadosa e sensível. Há áreas degradadas, fragmentadas e ameaçadas, mas também há vida, resistência, beleza e pessoas trabalhando por sua proteção.
O projeto “Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas” segue percorrendo o litoral do Espírito Santo para registrar esses territórios, ouvir comunidades, valorizar iniciativas locais e contribuir para que os manguezais capixabas sejam mais conhecidos, respeitados e protegidos.
Entre rios, pedras, marés e cidades, Serra mostrou que os manguezais também resistem onde quase ninguém aprendeu a olhar. Com essas informações, o projeto avança na construção de um retrato dos manguezais do Espírito Santo, reunindo ciência, fotografia, memória, território e participação social.
Sobre o projeto
O projeto é realizado pelo Instituto Últimos Refúgios, em conjunto com o FUNDÁGUA e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (SEAMA).
Até o momento, conta com o apoio de importantes instituições que fortalecem sua execução no território, como o Grupo Águia Branca, a Prefeitura de Aracruz, o SESC Aracruz, o IMD, por meio do Projeto Caiman e IEMA, que somam esforços técnicos e institucionais à iniciativa.
Esses parceiros ampliam o alcance e o impacto do projeto, consolidando uma rede colaborativa em prol da valorização e conservação dos manguezais capixabas.
O projeto segue aberto à participação de novos parceiros em todo o litoral do Espírito Santo. Caso haja interesse em integrar essa iniciativa, entre em contato.

Equipe
- Coordenação Geral: Leonardo Merçon
- Coordenação de Produção: Raphael Gaspar
- Assistente de Coordenação: Henrique Mariano
- Coordenação de Pesquisa (Biodiversidade, Social e Ameaças): Iasmin Macedo
- Consultoria em Gerenciamento Costeiro, Manguezal e Socioeconomia: Danielle Awabdi
- Consultoria em Ecossistema Manguezal: Professora Mônica Tognella
- Pesquisa de Biodiversidade: Thiago Silva-Soares
- Pesquisa Social: Daniela Gerhard
- Fotografia (Direção e Captação): Leonardo Merçon
- Assistente de Fotografia / Apoio Técnico: Felipe Facini
- Ilustração: Jenifer Zamperlini
- Logger e Organização do Banco de Imagens: Marcella Rosa
- Editoração do Livro: Danielle Awabdi
- Textos para o livro: Rafael de Rezende Coelho
- Design Gráfico: Felipe Facini
- Educação Ambiental: Caroline Reis
- Administrativo e Financeiro: Thiago Negrelli
- Contabilidade: Orbis Contabilidade
- Apoio administrativo: Thiago dos Santos Nunes
Fonte: Folha Vitória





































