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18 de agosto de 2026“Foi daqui que criei meus filhos”: funcionário chora ao ser demitido da Casas Bahia após 21 anos
Edson Silva entrou em uma reunião na loja da Casas Bahia em que trabalhava, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e saiu dela com a notícia de que estava demitido. Terminava ali uma relação profissional que havia atravessado 21 anos de sua vida.
O trabalhador decidiu gravar uma despedida. Emocionado, agradeceu aos colegas, gestores e clientes, mas não conseguiu conter o choro ao recordar que foi com aquele emprego que sustentou a família e criou os filhos.
O vídeo começou a circular nas redes sociais em meio ao fechamento de 298 lojas da Casas Bahia e ao pedido de recuperação judicial apresentado pela companhia. A reestruturação deve atingir milhares de funcionários em diferentes regiões do país.
“Receber essa notícia não é fácil”
Na gravação, Edson conta que soube do desligamento durante uma reunião realizada na sexta-feira (14). Ele trabalhava em uma unidade localizada em Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira com o Paraguai.
“Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, afirmou.
Apesar da demissão, o trabalhador utilizou a maior parte do vídeo para agradecer. Ele mencionou as pessoas que conheceu durante mais de duas décadas e as oportunidades que recebeu no período.
A emoção aumentou quando Edson falou sobre o papel que o emprego teve na vida da família.
Foi daqui que tirei o meu sustento, foi daqui que criei meus filhos, foi daqui que formei minha família.Edson Silva
Ele também descreveu o momento como o encerramento de um dos capítulos mais importantes de sua vida. O vínculo com a empresa não estava relacionado apenas ao salário, mas a acontecimentos pessoais que acompanharam sua trajetória desde a juventude.
Funcionário deixa a empresa com “coração partido”
Edson afirmou que deixa a Casas Bahia com um sentimento de gratidão, mesmo diante da tristeza provocada pelo desligamento.
“Hoje o coração está partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido”, declarou.
O vídeo repercutiu por mostrar o impacto das demissões para além dos números apresentados em balanços empresariais. No caso de Edson, a decisão encerrou uma trajetória de 21 anos na mesma companhia.
A gravação recebeu mensagens de apoio de pessoas que se identificaram com a situação. Parte dos comentários destacou o tempo dedicado pelo funcionário à empresa, enquanto outros usuários desejaram que ele encontrasse uma nova oportunidade de trabalho.
A demissão ocorreu no mesmo período em que outros trabalhadores da varejista passaram a publicar relatos nas redes sociais. Alguns tinham décadas de empresa e contaram que foram surpreendidos pelo fechamento das unidades onde trabalhavam.
Casas Bahia fecha 298 lojas
O caso de Edson ocorreu durante uma ampla redução da estrutura física do Grupo Casas Bahia. A companhia informou o fechamento de 298 lojas, o equivalente a aproximadamente 29% dos pontos que mantinha em funcionamento.
O plano também contempla uma diminuição expressiva no número de funcionários. Documentos apresentados pela empresa no processo de recuperação judicial mencionam cerca de 3 mil desligamentos.
Os cortes atingem diferentes setores da companhia, incluindo funcionários das lojas físicas e áreas administrativas. A dimensão exata das demissões em cada cidade ainda pode variar conforme a reorganização das operações.
A empresa afirma que o redimensionamento busca adequar o quadro de funcionários à nova estrutura e reduzir despesas diante do agravamento de sua situação financeira.
Grupo pede recuperação judicial com dívida bilionária
O Grupo Casas Bahia apresentou no domingo (16) um pedido de recuperação judicial à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A empresa declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O pedido envolve dez companhias do grupo, incluindo operações ligadas às marcas Casas Bahia, Ponto, Extra.com e à fabricante de móveis Bartira.
Em comunicado ao mercado, o grupo atribuiu a decisão à deterioração de suas condições econômico-financeiras. A companhia citou juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas. O processo permite negociar com credores sob supervisão da Justiça enquanto as atividades continuam.
A apresentação do pedido não significa que todas as lojas serão fechadas. A companhia pretende manter parte da operação e concentrar esforços nos pontos e canais considerados mais rentáveis.
Prejuízo chegou a R$ 10,1 bilhões no trimestre
O pedido de recuperação judicial ocorreu depois de a Casas Bahia divulgar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
No mesmo período de 2025, a perda havia sido de R$ 555 milhões. O resultado mais recente foi afetado também por revisões contábeis, fechamento de unidades, reorganização do quadro de funcionários e mudanças nas expectativas de resultados futuros.
Nos primeiros seis meses de 2026, o prejuízo acumulado chegou a aproximadamente R$ 11,2 bilhões. A companhia encerrou o segundo trimestre com patrimônio líquido negativo.
A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024. Na ocasião, negociou aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas com bancos e outros credores.
O novo processo possui alcance maior e será analisado pela Justiça. Depois do eventual deferimento, a empresa deverá apresentar um plano detalhando como pretende reorganizar as dívidas e manter as operações.
Demissões despertaram reação de sindicatos
Entidades que representam trabalhadores do comércio passaram a cobrar esclarecimentos sobre a condução das demissões coletivas.
Sindicatos afirmam ter recebido relatos de funcionários surpreendidos pelos cortes e pelo encerramento de unidades. Entre as preocupações estão o pagamento das verbas rescisórias, a continuidade temporária dos planos de saúde e a possibilidade de transferência para lojas que permanecerão abertas.
Uma eventual ação judicial poderá discutir se houve negociação prévia suficiente com as entidades sindicais antes dos desligamentos. Isso não significa, até o momento, que as demissões tenham sido anuladas.
Os funcionários dispensados devem receber os valores previstos na legislação conforme a modalidade de desligamento, incluindo saldo de salário, férias proporcionais, 13º salário proporcional e demais verbas aplicáveis a cada contrato.
Despedida expôs o impacto dos cortes
Edson não apresentou críticas diretas à empresa no vídeo. Mesmo com a voz embargada, concentrou a mensagem no agradecimento às pessoas com quem trabalhou e aos clientes que conheceu durante os 21 anos.
O relato ganhou alcance justamente quando a crise financeira da companhia passou a ser medida pelo fechamento de quase 300 lojas, pelo pedido de recuperação judicial e pela redução de milhares de postos de trabalho.
Para o ex-funcionário, os números representam o encerramento de uma rotina construída ao longo de mais de duas décadas. O emprego que ajudou a criar os filhos e formar a família chegou ao fim em uma reunião, seguida por uma despedida que ele decidiu compartilhar nas redes sociais.
Fonte: Folha Vitória





































