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6 de junho de 2025Hoje nos despedimos de Luiz Soresini, nascido em 9 de março de 1938, no bairro de Jucutuquara, em Vitória (ES). Filho de Roberto e Iolanda Soresini, imigrantes italianos vindos da região do Vêneto, Luiz foi moldado pelo trabalho, pela simplicidade e pela honra de uma geração que ajudou a construir o Brasil com as próprias mãos e ideias.
De uma infância marcada por futebol de meia nas ruas de chão batido e estudos em escolas públicas, Luiz transformou-se em um dos grandes nomes da história industrial e institucional do Espírito Santo. Economista formado pela UFES, foi pioneiro na Aracruz Florestal e depois diretor da Aracruz Celulose, liderando com ética, planejamento e uma visão genuinamente transformadora.
Ao longo de sua trajetória pública, atuou também como secretário de Estado do Espírito Santo nos anos 1990, período em que contribuiu de forma decisiva para políticas ambientais e estruturantes no estado. Posteriormente, foi assessor de meio ambiente da Vale S.A., levando sua experiência e responsabilidade socioambiental para uma das maiores empresas do país.
Foi um homem de chão firme e olhar longo, que sabia da importância de plantar árvores com raízes profundas — tanto no solo quanto na alma das comunidades. Promoveu reflorestamento quando poucos falavam disso, estruturou o trabalho rural com dignidade, investiu em educação, saúde e infraestrutura com a certeza de que o desenvolvimento só é legítimo quando inclui.
Homem de memória afiada e coração generoso, nunca esqueceu o número da casa da infância, nem os nomes dos professores que o marcaram. Casou-se com Terezinha, sua primeira e única namorada, com quem construiu uma vida inteira de afeto, parceria e serenidade, completando no último mês de março 60 anos de casamento. Juntos, formaram uma família da qual sempre se orgulhou: os filhos Luiz Roberto, Fábio e Renato, e as netas Carolina, Gabriela, Luma, Valentina e Isabela, que herdaram dele a lucidez, o senso ético e a leveza de espírito.
Luiz foi o esteio da família Soresini. Um homem presente, afetuoso, que acompanhava de perto a vida de filhos, irmãos, sobrinhos e cunhados, oferecendo sempre uma palavra firme, um gesto discreto de cuidado, ou um conselho cheio de sabedoria. Para muitos de nós, era porto seguro e ponto de referência.
Eu, Luiz Ricardo, levo esse nome em sua homenagem — com enorme orgulho e com o compromisso de fazer jus à grandeza de sua história. Carregar esse nome é, para mim, uma honra diária e uma responsabilidade amorosa.
Luiz foi também um agente silencioso de civilização: entregou filtros de água a trabalhadores, regularizou casamentos, organizou hortas familiares, incentivou o uso de botas de segurança a quem nunca tinha usado sapatos. Para ele, progresso e humanidade sempre caminharam juntos.
Em Aracruz — onde chegou quando ainda havia balsa para cruzar o rio e febre amarela rondando — plantou muito mais que florestas: plantou estrutura, identidade, pertencimento e oportunidade. Foi diretor, servidor público, conselheiro, visionário — e, acima de tudo, guardião da ética e do cuidado com o outro.
Hoje, sua trajetória se encerra fisicamente, mas seu legado ecoa — nos viveiros, nas escolas, nas histórias de quem aprendeu com ele, nos filhos e netas que seguiu orientando, e no Espírito Santo que ajudou a erguer com tanta dedicação.
Luiz Soresini deixa não apenas saudade, mas um exemplo raro: o de quem viveu com propósito, serviu com excelência e partiu deixando raízes profundas demais para serem arrancadas.
Que sua memória nos inspire. Que sua história continue a ser contada. E que seu nome siga florindo onde houver respeito, inteligência e integridade.




































