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A Filha da História, Jeesala surge como liderança de uma nova era
Capa | Foto do 1º Dia de Campo do Café Conilon dos Povos Originários, realizado no Córrego do Ouro.
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AQUI ARACRUZ | NORTE DO ES

EDILSON LUCAS DO AMARAL
Introdução
Falar sobre política em Aracruz não é tarefa fácil.
Falar sobre Aracruz, por si só — uma cidade gloriosa, de passado nobre e alma inquieta — já exige cuidado e reverência.
Mas quando surge uma nova liderança, Jeesala Coutinho, a história ganha novos contornos, daqueles que nem o próprio historiador José Maria Coutinho (***) conseguiria narrar com tamanha síntese.
Por isso, resolvi dividir essa trajetória em dois capítulos — para que o tempo e as palavras possam respirar o nascimento de um novo ciclo em Aracruz.
Capítulo I — As Dinastias de Aracruz
Nem o mais erudito dos historiadores de Aracruz — o conceituado, renomado e diplomado José Maria Coutinho — poderia imaginar que a história política deste município viria a tomar contornos tão inesperados, ou talvez, estornos de si mesma.
Aracruz, com suas veias antigas e sua alma de cidade de interior, vive hoje um novo momento político. O município cresceu.
Um tempo que promete romper o círculo de suas tradições oligárquicas, carimbando talvez um novo nome, um novo destino, um novo símbolo no tabuleiro do poder estadual.
Houve um tempo em que tudo girava em torno de dois polos: Primo Bitti e Heraldo Musso.
Essa dicotomia, quase mítica, governou o municipio por décadas, como um pêndulo que jamais cansava de oscilar entre os mesmos sobrenomes.
Depois veio o sopro industrial, o aço das máquinas, o perfume químico das torres da Aracruz Celulose — e com ele, um progresso que mudou para sempre o DNA da cidade e do município.
O que antes era um vilarejo de influências restritas tornou-se um território de ambições largas.
A migração cresceu, o dinheiro circulou, e o poder, antes herança de famílias, começou a se misturar com a força de novas profissões, novos títulos, novos doutores.
O médico substituiu o coronel. A clínica tomou o lugar da fazenda.
Assim, a antiga oligarquia foi se metamorfoseando — não desapareceu, apenas trocou de roupa.
Os Mussos, os Bittis, os Leais deram lugar a Dr. Ademar e, mais tarde, a Dr. Coutinho.
De Luiz Theodoro Musso a Heraldo, e depois Erick, a linhagem se reinventou como quem muda o timbre, mas não a melodia.
E agora, no meio dessa travessia entre o passado e o porvir, Aracruz parece se preparar para mais uma mutação.
Talvez uma nova casta.
Talvez uma ruptura.
Talvez algo que ainda não tem nome — mas que, inevitavelmente, já começou a se formar nos corredores, nas esquinas e nas conversas sussurradas da cidade.
O que está por vir?
Mas Aracruz, com seus fantasmas e suas promessas, já pressente que a história — mais uma vez — está prestes a mudar de mãos.
Capítulo II — A Filha da História
De toda a trama que o tempo tece, nem mesmo o próprio José Maria Coutinho, o historiador de Aracruz, poderia prever o desfecho de suas entrelinhas.
Pois, entre os livros e manuscritos que guardam o passado da cidade, nasce agora uma nova página — viva, pulsante, feminina.

Surge Jeesala Coutinho.
Filha do atual prefeito, Dr. Coutinho, sobrinha do próprio José Maria, e herdeira não apenas de um nome, mas de um legado.
Hoje, à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos, ela se ergue como uma força que mistura razão e sentimento — política no DNA, e emoção nas decisões.
Aracruz, terra de praias douradas, de congos e congadas, do Museu Histórico de Santa Cruz e da sagrada Igreja de Nossa Senhora da Penha, assiste à ascensão dessa mulher que promete romper o silêncio das velhas salas de poder.
O município que um dia se curvou aos sobrenomes tradicionais, agora sussurra outro nome nos corredores: Jeesala.
Pré-candidata à Assembleia Legislativa do Espírito Santo, ela desponta como figura quase inevitável — não por acaso, mas por mérito e herança.
O potencial eleitoral de Aracruz é vasto, e o município, acostumado a eleger seus representantes, parece pronta para entregar mais uma voz ao plenário capixaba.
Entre seus adversários — nomes conhecidos como Erick Musso e o atual deputado Alcântara — Jeesala surge não como promessa, mas como realidade que se impõe com a serenidade de quem tem ao lado o respaldo do pai e o respeito do povo.
Mas há uma pergunta que ecoa, quase poética, nas memórias do historiador José Maria:
Será que ele, em seus estudos e reflexões, imaginaria que o próprio irmão, o cardiologista Dr. Coutinho, viria a governar Aracruz por duas legislaturas?
E que sua sobrinha, essa mulher de verbo firme e olhar decidido, marcharia rumo à Assembleia, transformando a família Coutinho em protagonista da nova era política da cidade e do município?
Difícil crer.
A história, afinal, gosta de brincar com ironias e destinos.
E enquanto o mar de Santa Cruz murmura antigas canções italianas — lembrança do navio La Sophia, o primeiro a aportar no Brasil que trouxe os primeiros imigrantes italianos para o Espírito Santo em 1874 – uma nova voz se ergue sobre as ondas.
Seu nome é Jeesala.
E Aracruz, mais uma vez, parece prestes a reescrever seu próprio enredo.
A Filha da História
DON OLEARI PESQUISA
(***) José Maria Coutinho foi um historiador, professor e escritor do município de Aracruz, Espírito Santo.
Ele é reconhecido por seus estudos sobre a história local, especialmente por sua obra em dois volumes Uma História do Povo de Aracruz.
Lecionou na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e, após seu falecimento, foi homenageado por meio de um documentário produzido por suas filhas.
Vídeo no YouTube:
Prof. Dr. José Maria Coutinho – Educando e Transformando YouTube
Obras
Uma História do Povo de Aracruz (Vol. I e Vol. II): narra a trajetória da cidade desde períodos pré-históricos, passando pela formação político-cultural sob influência ítalo-brasileira, até o impacto das grandes empresas, como a Aracruz Celulose.
Formação acadêmica e carreira
Graduou-se em História pela UFES. (aracruz.camarasempapel.com.br)
Fez mestrado em História das Américas na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). (aartedaeducacaofisica82.blogspot.com)
Também obteve doutorado em Ciências Sociais e Educação Comparada, também na UCLA. (aartedaeducacaofisica82.blogspot.com)
Foi professor em diversos níveis (ensino básico, médio e superior), ocupou o título de professor titular e ministrou várias disciplinas ao longo de sua carreira.
Fonte : Don Oleari




































