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Localizadas lado a lado, Itaúnas e Angelim, em Conceição da Barra, norte do Estado são duas comunidades que carregam laços históricos. A primeira tornou-se nacionalmente conhecida como uma espécie de “Meca do forró”, se tornando ponto turístico, e a segunda foi reconhecida como quilombola, mas, como outras do entorno, espera há anos pela titulação das terras. Os laços humanos e territoriais levaram a uma nova aposta coletiva: a agroecologia para proteção e regeneração do entorno natural, impactado fortemente pelo monocultivo de eucalipto para produção de celulose, que empobreceu o solo, secou nascentes e contaminou água e terra com agrotóxicos.
É nesse contexto que o coletivo Terra do Bem aposta na agroecologia como alternativa e na agrofloresta como um método de retomada dos territórios tradicionais para proteger a vida, tanto humana como animal e vegetal. Criada em 2019, a iniciativa, que atua de forma mais informal do que uma associação ou cooperativa, vem realizando cursos, formações, mutirões e principalmente trocas entre agricultores das duas comunidades.
“O coletivo nasce da união de quilombolas, indígenas, pescadores e quem se sente povo tradicional. Queremos propor uma agenda global de debate, que envolve alimentação, água, saúde, mulheres, tudo que a agroecologia propõe”, diz João Guimarães, técnico agrícola, agricultor e um dos articuladores do coletivo.
O contexto não é nada fácil. Quase em paralelo ao início da atuação do coletivo, outro movimento surgiu na região, tensionando muito a disputa por terras. Algumas associações recém criadas apareceram de forma repentina loteando a região e vendendo terrenos de forma massiva para pessoas vindas de outras cidades e estados, avançando inclusive sobre os territórios reconhecidos como quilombolas. Esse movimento vem sendo investigado pela polícia e uma dessas ocupações já foi despejada.
Diante do descontrole em relação à terra, a Suzano (ex-Fibria, ex-Aracruz Celulose), empresa de celulose que domina os territórios da região, entrou com ações de reintegração de posse para retirar essas associações que ocupam terras nos arredores da estrada que liga Conceição da Barra a Itaúnas. Tudo isso chegou perto, muito perto das retomadas, que no Angelim levam 12 anos e em Itaúnas 10 anos, de territórios onde havia eucalipto e agora dezenas de famílias originárias da região vivem e praticam agricultura.
Fonte: Século Diário.