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13 de março de 2026Após um ano em hemodiálise e transplante, Fabrício relata mudança completa na qualidade de vida
Uma vida totalmente nova! É assim que Fabrício Luís Baumgarten, de 49 anos, descreve sua realidade após passar pelo transplante de rim.
Em agosto de 2024, o administrador viu sua rotina mudar completamente quando os dois rins pararam de funcionar. Ele convivia há anos com hipertensão e diabetes, duas das principais causas de insuficiência renal, e começou a perceber sinais de alerta no corpo.
Inchaço nas pernas, muito cansaço e falta de apetite. O corpo vai avisando.Fabrício Luís Baumgarten, administrador
Após procurar atendimento médico, ele foi internado e iniciou imediatamente a hemodiálise, tratamento que substitui parcialmente a função dos rins. “Eu tinha medo de ir ao médico, mas acabei procurando ajuda por indicação de uma amiga transplantada”, relembrou.
Segundo Claudio Borges, urologista da Rede Meridional, a principal função dos rins é filtrar o sangue e eliminar substâncias que o organismo não precisa. “Quando o órgão deixa de funcionar, o tratamento pode envolver hemodiálise ou transplante.”
A rotina na hemodiálise

Durante cerca de um ano, Fabrício frequentou uma clínica três vezes por semana, por quatro horas ao dia. “É um tratamento pesado. A gente chega em casa muito cansado, às vezes sem conseguir nem levantar. Eu digo que a hemodiálise é para os fortes.”
E força foi o que não faltou naquele momento. Apesar dos efeitos colaterais do tratamento, o administrador continuou trabalhando e tentando seguir uma vida relativamente normal.
“Trabalho há mais de 30 anos na mesma empresa e eles me auxiliaram muito durante o processo”, afirmou.
Entrada na fila do transplante

Após alguns meses de acompanhamento, os médicos deram a notícia: Fabrício seria incluído na fila de transplante renal. Enquanto aguardava, sua esposa Daniela — a quem Fabrício chama de “um anjo de Deus em sua vida” — se ofereceu para ser a doadora.
“A minha esposa tem medo de um simples exame de sangue. Tem medo de uma simples agulha. Mas, mesmo como medo, ela se ofereceu e foi forte até o fim”, disse.
Daniela iniciou os exames para tentar ser doadora compatível, um processo que envolveu avaliações médicas, exames de sangue, testes de compatibilidade e acompanhamento psicológico. “O processo é muito cuidadoso, porque os médicos precisam ter certeza de que a decisão do doador é totalmente voluntária”, explica.
Entretanto, antes mesmo de o processo de avaliação da esposa de Fabrício ser finalizado, ele recebeu uma ligação inesperada. Um rim de doador falecido havia sido identificado como compatível.
Quando o médico me ligou dizendo que tinha surgido um rim compatível, parecia que eu estava sonhando.Fabrício Luís Baumgarten, administrador
Ele foi chamado imediatamente para o hospital e realizou o transplante no mesmo dia.
Recuperação e nova rotina
Após a cirurgia, o rim transplantado começou a funcionar gradualmente. Cerca de 15 dias depois, Fabrício recebeu alta hospitalar.
A mudança foi imediata. Hoje ele mantém acompanhamento médico regular e usa medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão, além de ter adotado um novo estilo de vida.
Segundo o urologista Claudio Borges, “o transplante renal costuma oferecer melhor qualidade de vida e maior expectativa de vida em comparação com a hemodiálise contínua.”
Importância da doação de órgãos
Para Fabrício, a experiência reforçou a importância de falar sobre doação de órgãos. “A fila funciona, mas precisamos de mais doadores. Muitas pessoas ficam anos esperando.”
Já Claudio Borges destaca a necessidade de os doadores informarem aos familiares sua vontade de doar após a morte, já que o transplante só pode ser realizado com autorização.
Hoje, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), cerca de 10% da população capixaba acima de 20 anos de idade, cerca de 315 mil pessoas, pode apresentar algum grau de comprometimento da função renal. 1.011 pacientes aguardam na fila de transplante renal.
Eu estou vivo por causa de uma decisão de uma família que autorizou a doação. Isso muda tudo, recebi uma segunda chance de viver.Fabrício Luís Baumgarten, administrador
Fonte: Folha Vitória




































