
Governo Municipal vai inaugurar quadra poliesportiva e novas salas de aula na Emefti Honório Nunes de Jesus
24 de fevereiro de 2026
ES tem 2,1 mil vagas em concursos e seleções com salários de até R$ 22 mil
24 de fevereiro de 2026Viajar já não é mais apenas conhecer um ponto turístico e tirar uma foto. Entre 2024 e 2025, o turismo de experiência deixou de ser tendência para se consolidar como um dos principais motores do setor.
Segundo a pesquisa “Turismo de Experiência – O que dizem os usuários das redes sociais?”, do Sebrae/ES, cerca de 90% dos turistas brasileiros buscam vivências autênticas e contato direto com a cultura local. Esse movimento já responde por mais de 60% do faturamento dos pequenos negócios turísticos no país. No cenário global, o segmento movimenta mais de US$ 1 trilhão por ano, com crescimento médio superior a 10%, de acordo com a plataforma Statista.
Do campo às redes: turismo de experiência fortalece pequenos negócios no ES
Para entender como essa tendência aparece nas redes sociais, o Sebrae/ES analisou 4.011 publicações no Instagram e no X (antigo Twitter). O levantamento mostra não apenas o que os turistas procuram, mas também como destinos e empreendedores estão se posicionando digitalmente.
“Mais do que vender serviços, é necessário destacar os benefícios da vivência, como aprendizado, bem-estar, conexão com a cultura local e transformação pessoal”, afirma o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo.
Ele reforça que o comportamento do turista está cada vez mais digital. “É nas redes sociais que ele busca informações, se inspira e decide a viagem.” Não por acaso, 62% das publicações analisadas estão no Instagram, consolidando a plataforma como principal espaço de inspiração.
Mais da metade dos conteúdos (50,6%) é produzida por empresas e empreendedores do setor. E o tom é majoritariamente positivo: 71,3% das postagens exaltam o turismo de experiência com entusiasmo, valorização cultural e convites diretos ao público.
A analista de Relacionamento do Sebrae/ES, Regina Paixão, destaca que presença digital hoje é estratégia, não opção. “Manter perfis atualizados, com informações claras e conteúdos frequentes, facilita o acesso e gera confiança. Mostrar bastidores, processos produtivos, histórias e saberes locais torna a comunicação mais próxima e autêntica.”
A gastronomia aparece como um dos grandes vetores dessa experiência. “Valorizar a cultura, a natureza, a gastronomia e os modos de vida do território é destacar o diferencial do negócio”, reforça Regina. Segundo ela, o turista quer entender a origem do que consome e conhecer quem produz.
Turismo com propósito
A pesquisa revela uma mudança clara no comportamento do viajante. Se antes predominava o desejo genérico de “conhecer algo novo”, agora a busca é por microvivências bem definidas e momentos marcantes.
Destinos fora do óbvio ganham força por proporcionar o chamado “efeito descoberta”, aquela sensação de encontrar uma joia escondida. Essa percepção amplia o alcance orgânico nas redes sociais.
Outro ponto central é o bem-estar. As publicações associam o turismo à desaceleração, à saúde mental e à reconexão com a natureza. Nesse cenário, cresce o papel do empreendedor como especialista, transmitindo organização, segurança e curadoria.
No X (antigo Twitter), a análise mostra que estruturas rústicas e autênticas são valorizadas como cenários nostálgicos e “instagramáveis”, e não como falta de infraestrutura.
A comida também ganha protagonismo. O turista quer “comer” a história local. Não basta servir a refeição, é preciso apresentar a origem do ingrediente, a técnica ancestral e o processo produtivo.
O agroturismo se destaca nesse contexto ao transformar o produtor em atração. O visitante quer caminhar na propriedade, acompanhar a produção e vivenciar o processo. E está disposto a pagar mais por isso.
No Instagram, aparecem com força:
- A venda da transformação pessoal
- A importância do planejamento profissional
- Destinos “instagramáveis”
- Sazonalidade e eventos com data marcada, como colheitas e festas típicas
- Turismo pedagógico, em que o visitante aprende algo novo
O que mais aparece nas publicações
Entre as experiências mais citadas nas redes sociais estão:
- Turismo de natureza e ecoturismo (21%) – trilhas, cavernas e observação de baleias
- Turismo cultural e histórico (16%) – festivais, roteiros guiados, museus e monumentos
- Turismo gastronômico e enogastronômico (12%) – rotas de vinhos e cafés especiais, visitas a produtores e festivais culinários
- Turismo de eventos e festivais (10%)
- Turismo rural (8%) – hospedagem em fazendas e participação na produção agrícola
Agroturismo transforma propriedades no Espírito Santo
No Espírito Santo, esse movimento já é realidade. Propriedades familiares têm aberto as porteiras para oferecer vivências autênticas: do café colonial às câmaras de maturação de queijos, passando pela produção de pães, licores, cachaças e geleias.
O turista não quer apenas comprar o produto, ele quer entender como ele é feito. A Região das Montanhas Capixabas se destaca nesse cenário, especialmente Venda Nova do Imigrante, reconhecida como a Capital Nacional do Agroturismo. Ali, é possível acompanhar o café secando no terreiro, participar da ordenha, colher frutas ou fazer passeios a cavalo.
Experiências semelhantes também estão presentes na Grande Vitória e em diversas regiões do interior, com visitas a produtores de socol, biscoitos, queijos, iogurtes, artesanato e bordados. Outro destino muito procurado é o Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Esse é um destino de ecoturismo e aventura famoso pro abrigar o Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil. Com clima frio, é ideal para trilhas, cachoeiras e produção de cafés especiais premiados.
Fonte: Folha Vitória




































