segunda-feira , 20 novembro 2017

‘A TV brasileira é a melhor e a pior do mundo’, diz Serginho Groisman

Serginho Groisman não é de economizar palavras quando o assunto é televisão. São quase 30 anos na telinha desde que estreou na TV Cultura, em 1991, no programa Matéria Prima, com uma plateia recheada de jovens.

Em entrevista ao R7, o apresentador fez uma análise sobre a qualidade de programação exibida atualmente na TV aberta.

— A TV brasileira sempre foi a melhor e a pior do mundo ao mesmo tempo. Sempre teve coisas maravilhosas e muito ruins. A teledramaturgia, por exemplo, ela é uma coisa única, assim como o nosso jornalismo e os programas de auditório.

Groisman defendeu o veículo da crítica “a televisão só ensina coisa errada”, e reforçou o poder que o espectador tem de como “acabar” com uma produção que não seja de qualidade.

— A televisão não é um veículo especificamente de educação, ela tem de transmitir valores. E o telespectador, ele tem de simplesmente usar de seu poder do controle remoto. O único jeito de acabar com os programas ruins é você desligando e eles vão sumindo.

O tema tratado foi discutido na noite de lançamento da Biografia da Televisão Brasileira (Matrix Editora), escrito pelos jornalistas José Armando Vanucci e Flávio Ricco. Foram quatro anos de pesquisas em que a dupla entrevistou diversos profissionais envolvidos na mídia. Ricco contou o que mais o chamou a atenção nesse “mergulho”.

— Foi a garra dos profissionais que ajudaram a construir essa caixa de sonhos. A televisão brasileira saiu do nada e veio a se transformar numa das maiores do mundo. Só aqui no Brasil, os profissionais trabalham com tamanha qualidade e tamanha criatividade. No Brasil se faz uma televisão de verdade, e ela é a única opção de lazer gratuita para o cidadão.

Em suas pesquisas, José Armando Vanucci disse que encontrou muitas curiosidades.

— Eu me lembro de duas da atriz Glória Menezes. Ela levava marmita e fazia sanduíches para a equipe toda quando tinha gravação externa. Tem também o dia em que ela e o Tarcísio [Meira, marido da atriz] quase morreram afogados gravando uma cena. O [diretor] Walter Avancini achou aquilo maravilhoso, era um acidente e ele fez a cena continuar [risos].

Presente na noite de autógrafos, o veterano Carlos Alberto Nóbrega destacou a década de 1960 como o melhor momento da TV brasileira.

— A época de ouro da Record, quando foram exibidos os festivais de música brasileira. Lá surgiram todos esses monstros sagrados de hoje, como Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina. Isso marcou uma época. Destaque também para o Família Trapo, Show do Dia 7, e muitos outros.

Com informações R7!

Folha Vitória.