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7 de agosto de 2026Corretora condenada por morte de Luísa Lopes é presa em casa e levada para a delegacia
Após ser condenada a 28 anos de prisão pela morte da estudante Luísa Lopes, a corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira foi levada pela polícia de casa para a delegacia, na tarde desta quinta-feira (6). Segundo a defesa, os policiais foram até a residência da ré para cumprir a decisão do Tribunal do Júri.
Em entrevista à TV Vitória, o advogado Luís Guilherme relatou que assim que recebeu a sentença, Adriana se despediu do marido e do filho e foi levada por uma viatura descaracterizada. Uma segunda viatura foi à casa dela apenas para fazer a escolta.
“Ela não apresentou resistência, assim que recebeu a sentença, ela se arrumou, se despediu do marido e do filho e os policiais logo em seguida chegaram e ela já estava pronta para ser levada”, disse.
Ainda segundo ele, Adriana acompanhou os votos dos jurados e a defesa requereu a nulidade do julgamento, o que foi indeferido.
“Infelizmente, devido a um acontecimento, a Adriana acabou acompanhando o voto dos jurados, o que até mesmo gerou um pedido de nulidade do julgamento pela defesa, mas foi indeferido pelo juízo“, afirmou.
Segundo Luís Guilherme, uma advogada que compõe a equipe de defesa acompanhou Adriana até a delegacia.
Ele afirma que Adriana ficou extremamente abalada com a condenação e a defesa pretende preservar a privacidade do filho e do marido da corretora.
“Ela está muito abalada, é algo que trouxe muita tristeza para ela e essa sentença que a defesa não concorda, inclusive já recorremos, não há como se receber essa notícia de uma forma clara e tranquila.” Luís Guilherme, advogado de defesa de Adriana Felisberto
Adriana foi condenada a 26 anos de prisão por homicídio consumado e dois anos de detenção por embriaguez ao volante.
Ré se manteve em silêncio
O julgamento do caso começou nesta quarta-feira (5), mas Adriana não participou presencialmente do primeiro dia do júri popular. Segundo os advogados de defesa, ela chegou a comparecer ao fórum para acompanhar a sessão, mas começou a chorar e passou mal logo após entrar no prédio.
A corretora voltou para casa e acompanhou o julgamento por videoconferência. Já no segundo dia, ela esteve no Fórum Criminal de Vitória, mas optou por permanecer em silêncio durante o júri.
Comportamento de Adriana após o atropelamento
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) concentrou sua argumentação no comportamento apresentado por Adriana após o atropelamento.
Os promotores de Justiça questionaram repetidamente as primeiras testemunhas sobre a postura da acusada após o acidente. Segundo os depoimentos, a corretora demonstrou indiferença e aparentava estar mais preocupada com o carro do que com a situação de Luísa.
O sargento da Polícia Militar que atendeu à ocorrência confirmou em depoimento que gravou imagens da cena por ter ficado impressionado com a frieza demonstrada pela acusada.
O militar também afirmou que, em 16 anos de carreira, nunca havia presenciado uma ocorrência semelhante. Ele relatou ter encontrado a estudante gravemente ferida no asfalto, enquanto um ciclista tentava confortá-la.
Outro policial, responsável pela autuação, afirmou que percebeu sinais de embriaguez na corretora, como fala arrastada e odor etílico.
Defesa sustentou uso de remédios controlados
De acordo com informações da repórter Suellen Araújo, da TV Vitória/Record, o advogado de Adriana questionou uma das testemunhas policiais sobre a possibilidade de diferenciar sintomas provocados pelo consumo de bebida alcoólica daqueles causados pelo uso de medicamentos controlados.
O policial respondeu que não é especialista no assunto, mas afirmou que o forte odor etílico o levou a acreditar que a corretora estava embriagada.
Mãe de Luísa foi ouvida
A primeira testemunha ouvida nesta quinta-feira foi a mãe de Luísa, Adriani Luiza da Silva. Em entrevista à reportagem da TV Vitória/Record, o assistente de acusação e advogado da família da vítima, Marcos Vinícius Sá, afirmou que o depoimento da mãe mostrou aos jurados as consequências da morte da estudante para a família.
“É uma mãe que tinha uma única filha e sofreu a pior dor que um pai pode sentir, que é sepultar um filho”, destacou.
Iluminação da via também foi debatida e juiz chegou a determinar ida de júri para Camburi, mas depois cancelou
Outro ponto discutido pelos advogados foi a iluminação da Avenida Dante Michelini, em frente ao Clube dos Oficiais, onde o acidente aconteceu.
Na tarde de quarta-feira (5), o juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, chegou a determinar que os jurados fossem até o local do atropelamento. No entanto, voltou atrás na decisão após um pedido da defesa para cancelar a diligência.
De acordo com os advogados da ré, Jamilson Monteiro Santos e Fábio Marçal, a solicitação foi feita porque a via passou por reformas na iluminação pública em 2024.
Os advogados argumentaram que, caso os jurados fossem até o local, a diligência seria infrutífera, já que as condições de iluminação não representariam mais o cenário existente na época do acidente.
Relembre o atropelamento e morte de Luísa
O atropelamento aconteceu na noite de 15 de abril de 2022, na Avenida Dante Michelini, em frente ao Clube dos Oficiais, em Vitória. Luísa estava de bicicleta quando foi atingida pelo carro conduzido por Adriana Felisberto.
Imagens de videomonitoramento registraram o momento da colisão. Segundo a Secretaria de Segurança Urbana de Vitória, a estudante atravessava a via fora da faixa de pedestres e com o sinal aberto para os veículos.
De acordo com a polícia, a motorista apresentava sinais de embriaguez, mas se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ela foi presa em flagrante e liberada após o pagamento de fiança de R$ 3 mil.
Fonte: Folha Vitória





































