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4 de setembro de 2026A inteligência artificial (IA) tem sido uma força motriz no desenvolvimento de tecnologias assistivas, oferecendo soluções inovadoras para pessoas com deficiência em diversas áreas, como comunicação, mobilidade e visão.
A inteligência artificial (IA) vem sendo utilizada no desenvolvimento de tecnologias assistivas destinadas a pessoas com deficiência. As aplicações abrangem áreas como comunicação, mobilidade, visão, audição, educação e acesso à informação. Um estudo publicado em 2026 na revista Disability and Rehabilitation: Assistive Technology identificou crescimento das pesquisas sobre o uso de IA no desenho de soluções de acessibilidade, com destaque para inteligência artificial, tecnologia assistiva e aprendizado profundo.
IA na deficiência visual e auditiva
Na área da deficiência visual, sistemas de IA podem reconhecer objetos, interpretar imagens e ambientes e transformar informações visuais em descrições por texto ou áudio. A tecnologia também pode ser utilizada em ferramentas de leitura e reconhecimento de voz. Essas aplicações se relacionam ao campo das tecnologias assistivas digitais, que inclui softwares e aplicativos voltados à comunicação, cognição e visão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para pessoas com deficiência auditiva ou dificuldades de comunicação, a IA pode contribuir para o reconhecimento automático da fala, geração de legendas e desenvolvimento de sistemas de comunicação aumentativa e alternativa. Uma revisão publicada na Revista Interface Tecnológica identificou aplicações envolvendo reconhecimento de voz, tradutores de Libras e assistentes virtuais, além de apontar possibilidades relacionadas à comunicação e ao acesso à educação.
Mobilidade e seleção de tecnologias
Na mobilidade, sistemas que combinam inteligência artificial e sensores podem auxiliar na identificação de obstáculos, reconhecimento de ambientes e orientação durante deslocamentos. Um mapeamento sistemático publicado na Revista Brasileira de Computação Aplicada analisou soluções que integram inteligência artificial e internet das coisas para tecnologias assistivas, com aplicações voltadas à redução de barreiras encontradas no cotidiano.
A IA também começa a ser estudada como ferramenta para a escolha de tecnologias assistivas. Um trabalho publicado em 2026 na revista Assistive Technology descreveu uma iniciativa da OMS que utiliza técnicas de raciocínio de máquina para auxiliar na seleção desses produtos. O sistema ainda está em fase de protótipo e considera informações relacionadas às necessidades funcionais dos usuários.
Desafios e acesso às ferramentas
A utilização dessas ferramentas, porém, envolve desafios. Uma revisão sistemática publicada na revista Health Informatics Journal analisou 45 artigos sobre IA e deficiência e apontou, entre os problemas identificados, a predominância de uma abordagem médica da deficiência e de perspectivas que podem não considerar adequadamente a diversidade das experiências das pessoas com deficiência.
O acesso às próprias tecnologias assistivas também permanece como uma questão. A OMS estima que mais de 2,5 bilhões de pessoas necessitem de pelo menos um produto assistivo no mundo. Entre as barreiras estão custos, disponibilidade, financiamento, formação de profissionais e oferta limitada de produtos.
Para a OMS, o desenvolvimento de tecnologias assistivas deve considerar a participação dos usuários, além de pesquisa, inovação, políticas públicas e condições de acesso. No caso das soluções baseadas em IA, esses fatores também são relacionados à necessidade de avaliar segurança, privacidade, precisão dos sistemas e possíveis vieses.
O avanço da inteligência artificial, portanto, amplia as possibilidades de desenvolvimento de ferramentas para reduzir barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência. A aplicação desses recursos depende, contudo, de que as tecnologias sejam desenvolvidas e avaliadas a partir das necessidades dos usuários e estejam acompanhadas de condições para seu acesso e utilização.
Fonte: Folha Vitória





































