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26 de junho de 2026El Niño pode provocar ondas de calor, enchentes e seca no Brasil; veja os impactos por região
Em nota técnica conjunta, os principais institutos meteorológicos do país detalham os impactos esperados do fenômeno climático
Uma nota técnica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), divulgada nesta terça-feira, aponta que há mais de 95% de probabilidade de o fenômeno El Niño persistir durante todo o segundo semestre de 2026, com possibilidade de se estender até o início de 2027.
As projeções do Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), também indicam que o evento pode atingir intensidade de forte a muito forte, cenário capaz de provocar mudanças significativas no regime de chuvas e nas temperaturas em diversas regiões do Brasil.
Segundo o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez, pequenas alterações na interação entre oceano e atmosfera podem influenciar a intensidade e os impactos do fenômeno. Por isso, embora o cenário seja favorável a um episódio forte, o monitoramento continuará sendo atualizado nos próximos meses.
Veja como o El Niño pode afetar cada região do Brasil
Norte
A nota técnica aponta tendência de redução das chuvas, especialmente entre junho e março, favorecendo secas prolongadas, temperaturas acima da média e aumento do risco de incêndios florestais, principalmente na Amazônia Legal. Estudos citados no documento mostram que, durante o forte El Niño de 2015, os focos de incêndio aumentaram cerca de 36% em relação à média dos 12 anos anteriores.
Outro impacto esperado é a redução dos níveis dos rios amazônicos, comprometendo a navegação, o abastecimento de comunidades ribeirinhas, a pesca, a produção agrícola e até a geração de energia hidrelétrica. O documento ressalta, porém, que as condições do Oceano Atlântico Tropical podem amenizar parte desses efeitos na porção leste da Amazônia, embora ainda seja cedo para confirmar essa influência.
Nordeste
A tendência é de redução das chuvas, principalmente na faixa norte da região. Com menor nebulosidade, espera-se aumento das temperaturas e da evaporação, agravando o déficit hídrico e elevando o risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A combinação entre calor intenso e menor volume de precipitações também pode afetar a agricultura e o abastecimento de água.
Centro-Oeste
Embora a relação entre o El Niño e o clima do Centro-Oeste seja menos direta, a nota técnica indica uma tendência consistente de temperaturas acima da média em toda a região, especialmente durante a primavera e o verão.
O calor mais intenso, aliado à baixa umidade do ar no fim do inverno e na primavera, aumenta o risco de queimadas.
Em contrapartida, durante episódios fortes do fenômeno, Mato Grosso do Sul e parte de Goiás costumam registrar chuvas mais regulares no verão e no outono, o que pode beneficiar parte da produção agrícola e amenizar parcialmente o calor. Já o norte da região tende a apresentar maior irregularidade na distribuição das chuvas.
Sudeste
Os impactos sobre o Sudeste tendem a variar conforme a atuação de outros sistemas atmosféricos. Em geral, espera-se aumento das temperaturas médias, principalmente durante a primavera e o verão, favorecendo ondas de calor mais frequentes e prolongadas.
Na distribuição das chuvas, o fenômeno pode deslocar a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) mais para o sul, favorecendo volumes acima da média no sul de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, enquanto áreas mais ao norte podem enfrentar estiagens e veranicos prolongados. Durante a primavera, também há indicativos de condições mais secas em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia.
Sul
A nota técnica indica maior probabilidade de chuvas acima da média ao longo do segundo semestre, elevando o risco de tempestades, enchentes e inundações.
O fortalecimento da corrente de jato subtropical favorece a formação de sistemas de tempestades e de ciclones extratropicais mais intensos.
Apesar de ser frequentemente associado ao aumento das chuvas na região, o El Niño também tende a elevar as temperaturas médias no Sul durante o inverno e a primavera, reduzindo a frequência e a duração das ondas de frio e das geadas mais severas.
Fonte: R Canal Rural




































