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14 de julho de 2026O preço global do café caiu 2,8% de maio para junho, o menor patamar em dois anos diante de previsões de maior safra do grão em 2026/27. Porém, os riscos climáticos preocupam o mercado e podem mudar a tendência de precificação ao longo do segundo semestre, alerta o relatório da Organização Internacional do Café (OIC).
Segundo o relatório mensal da entidade, o Indicador Composto de Preços da OIC (I-CIP) teve média de 248,90 centavos de dólar por libra-peso em junho. Apesar disso, os preços chegaram ao menor nível em quase dois anos no dia 9 de junho, antes de reagirem 17,4% até o encerramento do mês, alcançando a máxima de dois meses.
Divulgado nesta segunda-feira (13), a Organização destaca temor com a crescente possibilidade de um El Niño “muito forte” no fim deste ano – e das chuvas acima da média durante a colheita brasileira – devem interromper a sequência de quedas das cotações.
A preocupação ganhou força após agências meteorológicas do Japão e dos Estados Unidos apontarem elevada probabilidade para esse cenário, que pode provocar alterações importantes no regime de chuvas das principais regiões produtoras de café do mundo, diz o relatório.
No Brasil, maior produtor mundial, as chuvas intensas registradas em junho atrasaram a colheita, especialmente nas áreas de arábica em Minas Gerais. Na estimativa mais recente, a Safras & Mercado aponta que 44% dos trabalhos de campo foram concluídos em 24 de junho, abaixo dos 51% observados no mesmo período do ano passado e também da média histórica de cinco anos, de 47%.
Segundo a OIC, o excesso de precipitação prejudicou a colheita, a secagem dos grãos e elevou as preocupações com perdas localizadas e qualidade do café.
Apesar da reação das cotações, a entidade do café ressalta que os fundamentos de oferta continuam limitando movimentos mais fortes de alta.
Entre os fatores baixistas estão a previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para uma safra recorde do Brasil, 14% superior à do ciclo anterior, além da estimativa da Conab de uma produção de 66,7 milhões de sacas, com crescimento de 28% na colheita de arábica.
Exportações
No comércio internacional, as exportações globais de café verde somaram 10,8 milhões de sacas em maio, queda de 4,1% frente ao mesmo mês de 2025. Em maio de 2026, as exportações globais de café verde somaram 10,8 milhões de sacas, queda de 4,1% em comparação com as 11,26 milhões de sacas registradas em maio de 2025.
O recuo foi puxado principalmente pelos arábicas, enquanto os embarques de robusta cresceram 4,8%. As exportações dos chamados Naturais Brasileiros recuaram 17,2%, para 2,73 milhões de sacas, mantendo a sequência de retração da variedade no mercado internacional.
O principal recado do documento é que o mercado voltou a precificar risco climático. Apesar da expectativa de uma safra brasileira recorde em 2026/27 continuar limitando altas mais duradouras, a combinação de estoques baixos, atraso na colheita brasileira e clima deve mexer com os próximos meses de precificação.
Fonte: CNN Brasil





































