
Economia cresce 0,5% em agosto após dois meses de recuo, estima FGV
20 de outubro de 2026
IA e cuidado humano: como a tecnologia transforma tratamentos de saúde
20 de outubro de 2026Outubro é o mês internacional de conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Mais do que divulgar informações sobre o transtorno, essa campanha nos convida a combater preconceitos e compreender as dificuldades enfrentadas por crianças, adolescentes e adultos que convivem com essa condição.
Durante muito tempo, crianças com TDAH foram consideradas preguiçosas, desobedientes, agitadas ou desinteressadas. Na vida adulta, muitas dessas pessoas continuam ouvindo que precisam apenas se organizar melhor, ter mais disciplina ou prestar mais atenção.
Mas o TDAH não é falta de esforço, de inteligência ou de educação. É um transtorno do neurodesenvolvimento que envolve diferenças no funcionamento de circuitos cerebrais relacionados à atenção, ao controle dos impulsos e às funções executivas.
As funções executivas são habilidades que nos permitem planejar, organizar, iniciar e concluir tarefas, administrar o tempo, controlar impulsos e regular comportamentos. Quando essas habilidades apresentam dificuldades, atividades aparentemente simples podem exigir um esforço muito maior.
TDAH não se manifesta da mesma maneira em todas as pessoas
Algumas crianças apresentam hiperatividade evidente, enquanto outras são mais quietas, distraídas, esquecidas e parecem estar constantemente no mundo da lua. Essas últimas, especialmente as meninas, podem passar despercebidas por muitos anos.
Na vida adulta, a hiperatividade pode se manifestar como inquietação interna, enquanto as dificuldades de organização, procrastinação, gerenciamento do tempo e manutenção da atenção se tornam mais evidentes diante das responsabilidades profissionais e familiares.
Outro aspecto importante é o impacto emocional. Crescer ouvindo que você é desorganizado, irresponsável ou que não se esforça o suficiente pode comprometer a autoestima e contribuir para sentimentos de inadequação, frustração e ansiedade.
Por isso, precisamos compreender que uma pessoa com TDAH pode saber exatamente o que precisa fazer e, ainda assim, apresentar dificuldades para colocar aquilo em prática. Não se trata necessariamente de falta de vontade, mas de dificuldades relacionadas à autorregulação e ao funcionamento executivo.
Como podemos ajudar?
- Evitar rótulos e comparações: chamar uma criança de preguiçosa ou irresponsável não melhora seu comportamento e pode prejudicar sua autoestima.
- Estabelecer rotinas e organização: agendas, lembretes, instruções claras e tarefas divididas em etapas podem facilitar o dia a dia.
- Oferecer acolhimento e limites: crianças com TDAH precisam de orientação, previsibilidade, firmeza e gentileza, não de punições constantes.
- Valorizar as potencialidades: o diagnóstico não define a inteligência, a personalidade ou a capacidade de realização de uma pessoa.
- Buscar orientação profissional: quando os sintomas são persistentes e provocam prejuízos, uma investigação adequada é fundamental.
Também precisamos ter cuidado com a banalização do diagnóstico. Nem toda distração, procrastinação ou dificuldade de organização significa TDAH. Ansiedade, depressão, privação de sono e outras condições podem produzir sintomas semelhantes.
A avaliação clínica, que pode incluir uma avaliação neuropsicológica, contribui para compreender o funcionamento cognitivo, investigar possíveis dificuldades e identificar condições associadas. O diagnóstico exige uma análise cuidadosa da história de desenvolvimento e dos prejuízos funcionais.
Conscientizar sobre o TDAH não significa transformar qualquer comportamento em transtorno, mas reconhecer que existem pessoas enfrentando dificuldades reais, muitas vezes invisíveis aos olhos dos outros.
Porque compreender o TDAH é substituir julgamentos por conhecimento, cobranças excessivas por estratégias e preconceitos por acolhimento.
Fonte: Folha Vitória




































