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15 de julho de 2026Os homens costumam procurar menos os serviços de saúde e, muitas vezes, chegam ao consultório apenas quando os sintomas já estão avançados. Segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 46% dos homens acima de 40 anos só vão ao médico quando sentem algo.
Quando o homem utiliza apenas o Sistema Único de Saúde (SUS), esse número sobe para 58%.
A consequência é que doenças como hipertensão, diabetes, colesterol alto e até alguns tipos de câncer podem passar anos evoluindo de forma silenciosa.
No Dia Nacional do Homem, celebrado em 15 de julho, especialistas reforçam a importância da prevenção para a saúde masculina e indicam os cuidados essenciais para cada faixa etária. Confira!
Dos 20 aos 39 anos: a prevenção começa cedo
Embora muitos homens acreditem que os exames preventivos só sejam necessários após os 40 ou 50 anos, o acompanhamento deve começar bem antes.
Nessa fase, os principais cuidados envolvem:
- Aferição periódica da pressão arterial;
- Exames de colesterol e glicemia, geralmente a partir dos 20 anos;
- Avaliação do peso, circunferência abdominal e índice de massa corporal (IMC);
- Consulta clínica de rotina;
- Avaliação urológica quando necessário, com orientação sobre saúde sexual, ISTs, fertilidade e exame físico dos testículos e pênis.
Segundo o cardiologista Alex Gomes Rodrigues, coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São José e professor do Unesc, hipertensão, colesterol elevado e diabetes costumam evoluir sem sintomas.
Descobrir essas alterações precocemente permite iniciar mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento medicamentoso, reduzindo significativamente o risco de infarto e AVC.Cardiologista Alex Gomes Rodrigues, coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São José e professor do Unesc
Dos 40 aos 49 anos: atenção aos fatores de risco
Nesta faixa etária, o acompanhamento costuma se tornar mais frequente, especialmente para quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, hipertensão ou é fumante.
Além dos exames laboratoriais, o médico poderá indicar exames complementares conforme cada caso.
“O check-up cardiovascular não é igual para todos. O objetivo não é fazer o maior número possível de exames, mas identificar precocemente quem apresenta maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares”, explica Alex Rodrigues.
Já no caso do acompanhamento urológico, o urologista Thales Mendes, do Hospital Santa Rita, explica que homens sem fatores de risco podem fazer uma avaliação individualizada. No entanto, homens negros ou com parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de próstata devem iniciar a conversa sobre o rastreamento aos 45 anos.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil. Esse é o tipo de tumor mais comum entre os homens no país.
“O histórico familiar é um dos principais fatores de risco. Homens que possuem parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de próstata, especialmente antes dos 60 anos, apresentam risco significativamente maior de desenvolver a doença”, alerta o especialista.
A partir dos 50 anos: exames ganham ainda mais importância

A partir dos 50 anos, o acompanhamento preventivo se intensifica.
Entre os principais exames estão:
- PSA (Antígeno Prostático Específico);
- Toque retal;
- Controle periódico da pressão arterial;
- Colesterol e glicemia;
- Avaliação da função renal;
- Rastreamento do câncer colorretal;
- Exames cardiovasculares quando indicados.
José Nivaldo Fim, urologista da Cardiodiagnóstico, reforça que PSA e toque retal são complementares.
“O PSA é um exame de sangue importante, mas alguns tumores podem não elevar seus níveis. Já o toque retal permite identificar alterações que o exame laboratorial pode não detectar.”
Quem precisa antecipar os exames?
Em algumas situações, o acompanhamento deve começar antes da idade normalmente recomendada.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Histórico familiar de câncer de próstata;
- Hipertensão;
- Diabetes;
- Colesterol elevado;
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Sedentarismo.
Também é importante procurar atendimento imediatamente diante de sintomas como:
- Sangue na urina;
- Dificuldade para urinar;
- Dor ou aumento de volume nos testículos;
- Nódulos testiculares;
- Dor persistente na região genital;
- Dor no peito, palpitações ou desmaios.
Outras doenças também merecem atenção
Vale destacar que os cuidados com a saúde masculina não param na prevenção cardiológica ou do câncer de próstata.
O cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá, do Instituto Tireoide, lembra que o câncer de boca é o quinto mais comum entre os homens brasileiros. Segundo ele, consultas regulares ao dentista podem identificar lesões suspeitas ainda nas fases iniciais, aumentando significativamente as chances de cura.
O risco é maior entre fumantes e pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência.
Outro problema comum, especialmente entre homens jovens, é a varicocele, uma dilatação das veias dos testículos semelhante às varizes das pernas. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, ela afeta entre 15% e 25% dos homens e pode comprometer a fertilidade.
O quadro costuma começar ainda na adolescência, impulsionado pelas mudanças hormonais e pelo desenvolvimento acelerado. Segundo o médico especialista em diagnóstico por imagem Cristiano Ferreira, do Angiolab Vitória, a origem está em uma alteração na circulação.
“Homens com dificuldades circulatórias em pontos específicos do abdome podem apresentar congestão pélvica, afetando as veias próximas aos testículos”, explica.
“A prevenção, em saúde masculina, vai além do câncer de próstata. Hipertensão arterial, diabetes e doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de adoecimento e morte dos homens. Por isso, é importante manter em dia os exames laboratoriais de rotina, controlar a pressão arterial, acompanhar o peso corporal, adotar hábitos de vida saudáveis, manter a vacinação atualizada e realizar o rastreamento do câncer colorretal a partir dos 45 anos, quando indicado.” José Nivaldo Fim, urologista da Cardiodiagnóstico
Fonte: Folha Vitória





































