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19 de junho de 2026Mais do que um atrativo econômico, a gastronomia continua sendo uma expressão viva da identidade capixaba
*Artigo escrito por Gisa Holtz, formada em Gastronomia pela UVV, chef de cozinha e diretora do cerimonial Casa Vila
Em uma sociedade cada vez mais conectada por telas, mas nem sempre por presença, existe um hábito que resiste ao tempo e continua reunindo pessoas de diferentes gerações: sentar-se à mesa. Seja em aniversários, casamentos, festas religiosas ou encontros familiares, a gastronomia permanece como uma das expressões mais genuínas de convivência humana. Mais do que alimentar, ela cria vínculos, preserva histórias e fortalece identidades culturais.
No Espírito Santo, essa relação é ainda mais evidente. A culinária capixaba não representa apenas um conjunto de receitas tradicionais, mas um patrimônio afetivo construído ao longo de séculos.
Basta sentir o aroma de uma moqueca preparada na tradicional panela de barro ou acompanhar a tradição da torta capixaba durante a Semana Santa para perceber como a comida tem o poder de despertar lembranças e conectar diferentes gerações.
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Como profissional da gastronomia, observo diariamente que as pessoas não buscam apenas uma refeição. Elas procuram experiências capazes de gerar acolhimento, pertencimento e memória. Muitas vezes, o sabor de um prato é capaz de transportar alguém para momentos especiais da infância, para a casa dos avós ou para encontros marcantes que permanecem vivos mesmo com o passar dos anos.
A força da gastronomia capixaba também está diretamente ligada à diversidade cultural que formou o estado. A influência italiana é percebida nas massas artesanais, nos almoços de família e nas festas comunitárias que movimentam cidades como Santa Teresa.
Já a tradição pomerana mantém vivas celebrações que reúnem famílias inteiras em torno da comida, da música e de receitas transmitidas entre gerações. Cada prato carrega não apenas ingredientes, mas histórias que ajudam a contar quem somos.
Essa valorização da culinária regional também impulsiona o turismo e movimenta a economia capixaba. Dados divulgados pelo IBGE, em parceria com o Ministério do Turismo, apontam que o Espírito Santo registrou crescimento de 21% na receita turística em 2024, alcançando R$ 563 milhões.
O gasto médio dos visitantes chegou a R$ 2.118 por viagem, demonstrando o potencial econômico das experiências que conectam cultura, lazer e gastronomia.
Não por acaso, o turismo gastronômico tem ganhado cada vez mais relevância. O Sebrae-ES destaca que o setor turístico capixaba vive um momento de expansão, impulsionado pela valorização das experiências locais e pela busca crescente dos visitantes por vivências autênticas.
Nesse contexto, a gastronomia se torna um dos principais cartões de visita do estado, capaz de traduzir sua história, sua diversidade cultural e sua identidade regional em cada prato servido.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por experiências gastronômicas mais personalizadas, nas quais o ato de comer está associado à convivência, à celebração e à construção de memórias.
Em um cenário marcado pela velocidade e pelo consumo instantâneo de informações, compartilhar uma refeição continua sendo uma das
formas mais simples e poderosas de conexão humana.
Talvez seja justamente essa capacidade de reunir pessoas que explique por que a gastronomia permanece no centro das celebrações. A comida transforma encontros em lembranças, fortalece laços familiares e mantém vivas tradições que atravessam gerações.
Em um estado que vê o turismo crescer e se fortalecer a partir de suas experiências autênticas, a gastronomia ocupa um lugar de destaque.
Mais do que um atrativo econômico, ela continua sendo uma expressão viva da identidade capixaba. Afinal, receitas podem ser reproduzidas em qualquer lugar, mas os sabores carregados de história, afeto e tradição permanecem únicos.
É na mesa que muitas das nossas memórias são construídas, e é por ela que seguimos celebrando quem somos.
FONTE: FOLHA VITORIA


































